Entrevista com Hervé Reculeau para o Projeto de História Oral do Instituto Oriental
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Hervé Reculeau discute assiriologia, evidências cuneiformes e pesquisa climática antiga, questionando relatos simplistas de colapso causado pelo clima.
Fonte da transcrição: legendas enviadas pelo criador no YouTube. Pontuação por IA adicionada pelo Vidleaf; redação original e âncoras de carimbo de tempo preservadas. A transcrição original está disponível abaixo.
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Resumo gerado por IA
Hervé Reculeau descreve seu caminho para a assiriologia e a pesquisa sobre as respostas de sociedades antigas às mudanças climáticas. A entrevista conecta evidências cuneiformes com dados proxy ambientais e distingue mudanças no clima das expectativas das pessoas sobre o tempo. Reculeau questiona explicações que atribuem ao clima sozinho a responsabilidade pelo colapso social, usando a Assíria como um caso que complica essa história. Ele também discute modelos computacionais de sociedades agrárias sob estresse. Esses modelos são apresentados como formas de testar respostas possíveis contra evidências históricas, e não como um dispositivo para provar exatamente o que aconteceu no passado.
Pontos-chave
- [3:28] A pesquisa pergunta como as sociedades antigas percebiam e respondiam às mudanças ambientais.
- [11:14] A sobrevivência da Assíria fornece um contraponto a relatos focados apenas em sociedades em colapso.
- [17:00] A modelagem oferece uma forma separada de testar cenários contra evidências arqueológicas e textuais.
Gerado a partir da transcrição. Verifique as passagens vinculadas em relação ao vídeo original. Resumo e pontos-chave revisados pelo Vidleaf em 2026-10-21.
Visão geral completa
Hervé Reculeau, professor assistente de assiriologia na Universidade de Chicago, descreve como seu interesse começou quando era estudante de graduação em história na França e o que ensina aos alunos sobre a leitura de cuneiforme e acadiano. Ele observa que a UChicago tem quatro professores de assiriologia, além da linguista Rebecca Hasselbach-Andee trabalhando com acadiano, oferecendo uma amplitude de especialização ao longo de milênios disponível quase em nenhum outro lugar. Ele está envolvido em um projeto colaborativo abreviado como 3CEA, financiado pelo consórcio Humanities Without Walls com apoio da Mellon, que examina como sociedades antigas no Egito, na Anatólia e no Mediterrâneo oriental lidaram com episódios de mudança climática usando dados proxy como testemunhos de gelo, sedimentos lacustres e pólens. Ele distingue clima de tempo, enfatizando que as pessoas percebem o clima por meio de expectativas sobre como o tempo deveria ser e agem com base nessas expectativas, e questiona narrativas deterministas de que a mudança climática causou colapso social, incluindo o colapso da Idade do Bronze Tardia, citando o ponto de Eric Cline de que o colapso geralmente é uma tempestade perfeita de calamidades. Focando na Assíria, que sobreviveu enquanto outras sociedades desapareceram, e em registros cuneiformes de colheitas de Dur Katlimmu mostrando desenvolvimento agrário e irrigação, ele argumenta que os assírios perceberam em parte a mudança climática, e o que lhe interessa é que eles tentaram, não que falharam. Ele também descreve uma colaboração do OI com o projeto CRANE sediado na Universidade de Toronto que modela a resposta social à mudança climática com modelos computacionais em vez de dados arqueológicos ou textuais; com a Dra. Lynn Welton, da Universidade de Durham, ele está desenvolvendo um modelo baseado em agentes de uma sociedade agrária sob estresse e aplicando um modelo de circulação geral do IPCC a períodos passados em uma escala sem precedentes, focado no norte da Síria e no sudeste da Anatólia, para testar cenários como expandir ou intensificar o cultivo. O modelo não se destina a dizer o que aconteceu no passado, mas a testar cenários contra as evidências, e incompatibilidades podem indicar que o modelo ou a teoria de adaptação precisa ser reformulada; seu papel como historiador é tornar o modelo baseado em agentes o mais realista possível com base no conhecimento de sociedades agrárias antigas.
Resumos de capítulos com carimbos de tempo
Hervé Reculeau sobre assiriologia na UChicago
- [0:05] Hervé Reculeau é professor assistente de assiriologia na Universidade de Chicago, afiliado ao Oriental Institute, ao Departamento de Línguas e Civilizações do Oriente Próximo e ao College.
- [0:17] Seu interesse pela assiriologia começou quando era estudante de graduação em história na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França.
- [0:28] Inicialmente interessado nos mundos grego e romano, ele descobriu áreas mais antigas e ficou fascinado depois de fazer aulas de história da antiga Mesopotâmia.
- [0:49] Como professor assistente, ele ensina os alunos a ler e decifrar a escrita cuneiforme em tabuletas de argila e a língua acadiana registrada nelas.
- [1:05] A Universidade de Chicago tem atualmente quatro professores de assiriologia: Martha Roth, Susanne Paulus, John Wee e ele mesmo.
- [1:14] A linguista Rebecca Hasselbach-Andee também se concentra no acadiano, então os alunos podem aprender com especialistas de diferentes períodos, escritas e dialetos.
- [1:32] Essa amplitude de especialização em acadiano ao longo de milênios é oferecida quase em nenhum outro lugar do mundo.
- [1:40] Ele está atualmente envolvido em um projeto colaborativo abreviado como 3CEA.
Projeto de Dados Proxy de Mudanças Climáticas Antigas
- [1:51] O projeto envolve professores e estudantes de pós-graduação da Universidade de Chicago, além de colegas e estudantes da Universidade de Purdue e da Universidade de Michigan.
- [2:00] O projeto recebeu um prêmio do consórcio Humanities Without Walls, financiado pela Fundação Andrew W. Mellon, para apoiar a colaboração e a interdisciplinaridade entre as humanidades.
- [2:12] O projeto examina como sociedades antigas no Egito, na Anatólia e no Mediterrâneo oriental lidaram com episódios de mudança climática.
- [2:29] A temperatura e a precipitação na Antiguidade não podem ser medidas diretamente, então dados proxy são necessários para reconstruir o clima passado.
- [2:41] Os dados proxy incluem testemunhos de gelo, sedimentos lacustres e pólens que registram partes dos padrões climáticos passados.
- [2:57] A paleoclimatologia floresceu nos últimos 30 anos e atingiu um grau de maturidade, dando uma boa ideia de como o clima evoluiu ao longo dos milênios.
- [3:06] A dendrocronologia e a datação por radiocarbono permitem colocar esses registros em uma escala cronológica.
- [3:20] Estudar o clima em sociedades também exige olhar para a parte das sociedades, que é onde o projeto entra em ação.
Clima, Tempo e Sociedades Antigas
- [3:28] O interesse de pesquisa é menos em como o clima evolui ao longo do tempo do que em como ele afetou as sociedades antigas, como elas o percebiam e reagiram a ele.
- [3:42] Isso exige pessoas que possam escavar e compreender material arqueológico ou ler textos antigos, como egiptólogos, hititólogos e assiriólogos.
- [3:52] O clima é um componente muito importante da história antiga porque todas as sociedades passadas eram sociedades agrárias.
- [4:04] As sociedades mesopotâmica e egípcia são pensadas como urbanas, mas seu pano de fundo era a agricultura e o campo, incluindo pessoas não elitizadas que não aparecem frequentemente nos textos e que sustentavam todo o sistema.
- [4:47] Para camponeses, proprietários de terra e cobradores de impostos, o que importa não é tanto o clima, mas o tempo — o tempo em um dado ponto do ciclo agrícola, chuva ou água de irrigação suficientes, e temperatura adequada.
- [5:05] Clima não é tempo; clima é uma extrapolação do tempo ao longo de um período mais longo, convencionalmente 30 anos, usando estatística na ciência moderna.
- [5:34] Tais estatísticas não estão disponíveis para o passado, mas não são necessárias, porque o importante é que todos percebem o clima por meio de expectativas sobre como o tempo deveria ser.
- [6:08] As pessoas agem com base nessas expectativas, então, se o clima real está mudando, a questão é se elas mudam suas expectativas ou se apegam a elas e talvez se comportem de maneiras não ideais para o clima em evolução.
Questionando Narrativas de Colapso Causado pelo Clima
- [6:40] O palestrante pretende examinar a mudança climática antiga de forma diferente de como livros populares e jornais a retratam.
- [7:01] Dados produzidos nos últimos trinta anos passaram a dominar a discussão sobre mudança climática na Antiguidade.
- [7:09] Essa discussão está correlacionada com como percebemos a mudança climática hoje e nossos medos para o futuro.
- [7:28] O palestrante argumenta que a mudança climática nunca foi, e provavelmente não é, uma força determinística que assume a agência social.
- [7:44] Uma representação popular enquadra a mudança climática antiga como a causa do colapso social, uma narrativa encontrada em jornais, livros para o público geral e algumas pesquisas científicas.
- [8:03] Esse discurso geralmente não representa realmente o que o material nos diz.
- [8:08] É muito difícil correlacionar dados paleoclimáticos com dados históricos e arqueológicos porque eles operam em escalas de tempo e espaço muito diferentes.
- [8:31] Em uma curva climática, duzentos ou trezentos anos podem ser um ponto, mas os historiadores veem muita coisa acontecendo em duzentos anos.
- [8:49] A forma como as sociedades respondem e os seres humanos agem tem uma importância que deve ser considerada para o passado, o presente e o futuro.
Questionando o Colapso da Idade do Bronze Causado pelo Clima
- [9:04] O colapso do final da Idade do Bronze é um dos casos mais famosos, com os hititas na Anatólia e sociedades no Levante, no Mediterrâneo oriental e no Egeu desaparecendo aproximadamente por volta do século 12 a.C.
- [9:30] Uma narrativa importante correlaciona esse colapso com um evento climático abrupto por volta do século 12 ao 10 a.C.
- [9:43] A dificuldade é como eles correlacionaram e se a correlação pode equivaler a causalidade, que é frequentemente onde reside a falácia lógica, devido a dificuldades na escala de tempo.
- [9:59] Olhando os dados com cuidado, colapso pode ser uma palavra grande demais, já que padrões de continuidade podem ser encontrados em muitos casos.
- [10:13] Eric Cline apontou que é muito raro na história que uma única causa crie colapso social; é sempre o que ele chama de tempestade perfeita de calamidades que empurra as sociedades além de um ponto de inflexão.
- [10:42] O palestrante está tentando ver se realmente existe um episódio abrupto que se encaixe no padrão de que clima ruim causa colapso social.
- [10:56] A narrativa de que clima bom significa civilização e clima ruim significa o fim da civilização é simples e forte, mas o problema é que não é verdadeira.
A Sobrevivência da Assíria e a Resposta ao Clima
- [11:14] O palestrante foi atraído pela Assíria tanto como cuneiformista quanto porque a Assíria não colapsou no mesmo período.
- [11:24] Há uma suposição geral de que a Assíria passou por tempos mais difíceis, pelo menos como entidade política, mas ela sobreviveu e, por volta do século 9 a.C., tornou-se a potência imperial líder no Oriente Médio.
- [11:56] Registros cuneiformes de colheita de Dur Katlimmu, na Síria, principalmente dos séculos 14 e especialmente 13 a.C., mostram que, à medida que os assírios se expandiam na Jazira síria, eles também aparentemente executavam um forte programa de desenvolvimento agrário envolvendo irrigação.
- [12:25] A irrigação não fazia parte da tradição assíria, já que a Assíria é tradicionalmente mais um país de agricultura dependente de chuva.
- [12:46] O chamado episódio abrupto, abrupto por 200 anos, veio no final de uma longa tendência de secagem que começou no final do terceiro milênio a.C. 3
- [13:38] O palestrante acha que os assírios perceberam em parte que o clima estava mudando, o que explica em parte sua expansão para áreas com acesso a boa água de irrigação.
- [13:49] Os registros de sua produção mostram que os rendimentos das colheitas eram extremamente ruins, mas o que interessa ao palestrante como historiador é que eles tentaram, não que falharam.
- [14:06] O palestrante quer examinar como as sociedades tentam lidar com a mudança climática, e este trabalho provavelmente fará parte do projeto 3CEA, um dos projetos mais importantes em que trabalharão.
Modelando a Resposta ao Clima no Antigo Oriente Próximo
- [14:33] Um segundo projeto examina a resposta societal à mudança climática de um ângulo diferente, por meio de uma colaboração do OI com o projeto CRANE.
- [14:45] CRANE significa Computational Research on the Ancient Near East e é sediado na Universidade de Toronto, no Canadá.
- [15:00] O palestrante colabora com a Dra. Lynn Welton, da Universidade de Durham, ex-pós-doutoranda do OI.
- [15:16] Em vez de usar dados arqueológicos ou textuais como no 3CEA, eles modelam a resposta social à mudança climática com modelos computacionais.
- [15:36] Lynn Welton está desenvolvendo dois modelos: um modelo baseado em agentes de uma sociedade agrária sob estresse, e um modelo de circulação geral usado pelo IPCC aplicado a períodos passados.
- [16:09] A escala do modelo climático é descrita como sem precedentes, focando em uma área que cobre o norte da Síria e o sudeste da Anatólia.
- [16:29] Eles planejam modelar períodos como o episódio de aridificação em torno do final da Idade do Bronze e testar cenários como expandir ou intensificar o cultivo.
- [17:00] O modelo não se destina a dizer o que aconteceu no passado, mas a testar cenários contra as evidências, e incompatibilidades podem indicar que o modelo ou a teoria de adaptação precisa ser reformulada.
- [17:35] O papel do palestrante como historiador é tornar o modelo baseado em agentes o mais realista possível com base no conhecimento das sociedades agrárias antigas.
[0:05] Olá, sou Hervé Reculeau. Sou professor assistente de Assiriologia na Universidade de Chicago, aqui no Instituto Oriental e no Departamento de Línguas e Civilizações do Oriente Próximo, e também na Faculdade. Meu interesse pela Assiriologia começou quando eu era graduando na França, onde estudei na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Eu era graduando em história e estava interessado no mundo antigo, e para mim isso significava principalmente, você sabe, os mundos grego e romano, e então percebi que havia outras áreas, mais antigas, e comecei a fazer cursos de história da antiga Mesopotâmia, e eu simplesmente fiquei fascinado, e então fiz um doutorado e, bem, um mestrado, um doutorado e pós-doutorados e, você sabe, tenho um emprego como assiriólogo.
[0:49] Uma das coisas que faço como professor assistente aqui em Assiriologia é ensinar os alunos a ler e decifrar a escrita cuneiforme em tabuletas de argila e a língua que era registrada nessas tabuletas, que é o acadiano. Na verdade, não sou o único que faz isso. Esta é uma das grandes riquezas aqui na Universidade de Chicago, que há quatro atualmente, quatro professores de Assiriologia. Martha Roth, Susanne Paulus, John Wee e eu, e também há Rebecca Hasselbach-Andee, que é linguista, mas cujo trabalho se concentra realmente no acadiano, então os alunos realmente têm a oportunidade de aprender com especialistas de diferentes períodos, diferentes tipos de escrita, diferentes tipos de dialetos, as diferentes maneiras pelas quais o acadiano evoluiu ao longo dos milênios, e isso é algo que é oferecido, eu acho, quase em nenhum outro lugar do mundo.
[1:40] Então, atualmente estou envolvido em um projeto colaborativo chamado, abreviadamente, 3CEA - Coping with Changing Climates in Early Antiquity. É um projeto que envolve alguns professores e estudantes de pós-graduação aqui na Universidade de Chicago, mas também colegas e estudantes da Universidade de Purdue e da Universidade de Michigan. Somos muito sortudos porque recebemos um prêmio do consórcio Humanities Without Walls, que é financiado pela Fundação Andrew W. Mellon, para apoiar a colaboração e a interdisciplinaridade nas humanidades.
[2:12] Este é um projeto que examina como as sociedades antigas no Egito, na Anatólia, no Mediterrâneo oriental lidaram com episódios de mudança climática. As evidências que usamos para reconstruir a mudança climática, obviamente, não podemos medir temperatura e chuvas na Antiguidade porque não temos as medidas que usamos para a mudança climática moderna. Então, uma das primeiras coisas necessárias é ter dados proxy — dados que possam dizer como era o clima no passado. São coisas como testemunhos de gelo, sedimentos de lagos, pólens, todos esses elementos que registram partes dos padrões climáticos no passado. Isso não é algo que fazemos nós mesmos, é um campo que tem florescido nos últimos 30 anos, chamado paleoclimatologia, e agora esse campo atingiu um grau de maturidade em que realmente temos uma boa ideia de como o clima evoluiu ao longo dos milênios e, com dendrocronologia e datação por radiocarbono, também podemos situá-los na escala cronológica.
[3:17] Esta é a parte climática. Mas quando você olha o clima nas sociedades, é claro, você também quer olhar a parte das sociedades, e é aí que entramos em cena, porque para nós o interessante não é tanto como o clima evolui ao longo do tempo, mas como ele afetou as sociedades antigas. Como elas perceberam a mudança climática. Como reagiram a ela. É aí que você precisa ter pessoas que possam escavar e compreender material arqueológico ou ler textos antigos, como egiptólogos, hititólogos ou eu mesmo como assiriólogo.
[3:52] Bem, o clima, por definição, é um componente muito importante da história antiga porque todas as sociedades no passado eram sociedades agrárias. Mesmo essas sociedades que estudamos na Mesopotâmia, no Egito, pensamos nelas como sociedades urbanas porque, é claro, criaram cidades muito importantes, mas o pano de fundo dessas cidades era a agricultura, era o campo. Pessoas que não vemos frequentemente no texto porque não são elites. Elas não participam do mundo do palácio ou do templo, mas são as pessoas que sustentavam todo o sistema, as fundações das sociedades.
[4:27] Então, todos nessas sociedades estariam muito cientes de qualquer coisa ligada à agricultura, e meu trabalho realmente se concentra na agricultura. Então, o que importa para as pessoas que trabalham na agricultura? Quero dizer, para esses, os camponeses ou os proprietários de terras ou os cobradores de impostos, porque os impostos também são baseados na produção agrícola. Não é tanto o clima, na verdade, é o tempo. É que tipo de tempo você tem em que, em que ponto do ano, no ciclo agrícola. Se você tem chuva suficiente ou água de irrigação para suas plantações crescerem, se a temperatura é adequada, et cetera, et cetera.
[5:05] Então, quando olhamos para a mudança climática, na verdade olhamos para algo um pouco diferente. Clima não é o tempo. Clima é uma extrapolação do tempo, por assim dizer, ao longo de um período mais longo. Na ciência moderna, isso é usado por meio de estatísticas. Você pega todos esses diferentes fatores dos climas, como precipitação, temperatura e outros, e observa a média e a variabilidade de um período que é convencionalmente de 30 anos. É claro que não temos essas estatísticas para o passado, mas de certa forma não precisamos delas, porque o que é importante é que todos percebem os climas.
[5:43] Eu não faço estatísticas, mas sei que tipo de tempo é esperado naquela época do ano, e é o que todos fazemos o tempo todo quando temos aquela conversa fiada sobre o clima. Ah, está bem chuvoso para a estação, ou está bem ensolarado para a estação, ou está bem quente. Isso porque os seres humanos têm uma antecipação do que seu ambiente, do que o tempo deveria ser, e o que nos interessa como historiadores do passado é que as pessoas agem com base nessas e nessas expectativas. Então, se o clima real está mudando, o que é interessante para nós é: eles mudam suas expectativas?
[6:23] Ou eles ainda se agarram a essa antecipação, a essas expectativas que têm e então talvez se comportem de uma maneira que não será ideal para o tipo de clima que agora está evoluindo. Então, uma das coisas que nos interessam, neste projeto especialmente, é olhar para a mudança climática antiga de uma maneira bastante diferente da forma como é retratada na maioria dos livros populares ou nos jornais quando relatam e informalmente em muitos, na verdade, em muitos artigos científicos também.
[6:58] Como eu disse, temos essa quantidade muito importante de dados que foi produzida ao longo dos últimos trinta anos e, de certa forma, ela tomou conta da discussão acima da discussão sobre mudança climática na antiguidade e, é claro, está correlacionada com a maneira como percebemos a mudança climática hoje e os medos que temos para o futuro. O que estamos tentando colocar de volta no quadro e tentar fazer as pessoas perceberem é que a mudança climática nunca foi no passado, ou eu acho que no presente e no futuro, algo que seja uma força determinística que, você sabe, assume o controle da agência social.
[7:41] Então, uma das maneiras mais populares de retratar a mudança climática antiga é vê-la como a causa do colapso social. Essa é uma narrativa muito forte, algo que você pode ler muito em jornais, em livros, para o público geral, e em algumas, em algumas pesquisas científicas também. O problema com esse discurso é que ele geralmente não representa realmente o que o material realmente nos diz. Uma das principais questões é que é muito difícil chegar, correlacionar dados climáticos antigos, dados paleoclimáticos e dados históricos, dados arqueológicos, porque estes funcionam em escalas de tempo e de espaço muito diferentes.
[8:27] Então, quando você olha para uma curva de mudanças antigas no clima, às vezes duzentos, trezentos anos serão apenas um ponto naquela curva, mas para nós como historiadores há muita coisa acontecendo em duzentos anos e, portanto, uma das coisas que estamos tentando fazer é fazer as pessoas perceberem que, você sabe, a maneira como as sociedades respondem, a maneira como os seres humanos agem, na verdade tem uma importância que precisa ser levada em consideração para o passado e eu acho que também para o presente e o futuro.
[9:00] Deixe-me apenas dar um exemplo, um dos casos que estou estudando atualmente é o que é chamado de colapso da Idade do Bronze Tardia. Esse é um dos casos mais famosos em que você tem, na Anatólia, os hititas, no Levante, no Mediterrâneo oriental, no Egeu, uma série de sociedades que desaparecem mais ou menos ao mesmo tempo, por volta do século 12 a.C., e há uma narrativa importante sobre esse colapso que diz: bem, isso foi correlacionado com um evento climático abrupto por volta do século 12 ao 10 a.C.
[9:43] Agora, a dificuldade é: como eles correlacionaram, e podemos, podemos fazer a correlação equivaler à causação? E é aí que muitas vezes está a falácia lógica. Porque, como eu disse, temos essas dificuldades na escala de tempo. Então, em primeiro lugar, quando você olha para o detalhe, para os dados com cuidado, percebe que colapso talvez seja uma palavra grande demais. Há muitos casos em que padrões de continuidade podem ser encontrados se você procurar por eles. Então essa é uma das primeiras questões. A segunda, eu acho mais geralmente, e isso é algo que Eric Cline apontou em um livro que publicou alguns anos atrás sobre esse mesmo episódio de colapso, é que é muito raro na história que uma única causa crie colapso social.
[10:26] É sempre o que ele chama de tempestade perfeita de calamidades que faz as sociedades ultrapassarem um certo ponto de inflexão. Mas mais importante para nós no projeto e para mim, especialmente no meu trabalho, o que estou tentando ver é: realmente temos um episódio abrupto que está atuando nesse, nesse padrão de, você sabe, clima, clima ruim, causa colapso social? Essa é uma narrativa muito forte porque é simples. Clima bom, civilização. Clima ruim, fim da civilização. Isso é muito fácil. Todos entendem isso. O problema é que não é verdade.
[11:11] Então, uma das coisas que fiz quando estava trabalhando, eu estava interessado na Assíria a princípio porque é isso que eu estudaria como cuneiformista, e também porque é uma situação muito interessante, a Assíria, nesse mesmo período, porque eles não entraram em colapso. Há essa suposição geral de que eles passaram por tempos mais difíceis, pelo menos como entidade política. Mas eles não entraram em colapso, sobreviveram e por volta do século 9 a.C. se tornaram uma das principais e depois a principal política imperial no Oriente Médio. Então é interessante olhar para aqueles que sobreviveram a esse episódio "abrupto" e quando você olha para os dados e especialmente, eu estava olhando para evidências textuais que não vêm daquele momento do colapso, mas logo antes - o século 14 e especialmente o século 13 a.C.
[11:56] Temos registros cuneiformes de uma cidade chamada Dur Katlimmu, na Síria. E esses são os registros das colheitas nos campos. E o que é interessante é que, através do registro arqueológico e textual, podemos ver que, naquele momento, quando os assírios estavam se expandindo na Jazira síria, eles também aparentemente tinham um programa muito forte de desenvolvimento agrário e isso envolvia irrigação. Agora, isso é interessante porque na Assíria tradicionalmente é mais um país de agricultura dependente de chuva.
[12:29] Então a irrigação não faz parte de suas tradições. Então eles estão se expandindo militarmente, estão expandindo sua política, e também estão expandindo suas práticas agrárias em áreas onde você precisa de irrigação e também provavelmente em um momento em que o clima também estava se tornando mais seco. Então, o que foi interessante para mim, quando olhei para isso, é que esse chamado episódio abrupto, mais uma vez, é abrupto por 200 anos, mas vem no final de uma longa tendência que começou no final do 3º milênio a.C.
[13:00] Então, ao longo de todo o segundo milênio a.C., o tempo estava ficando, quero dizer, há altos e baixos, mas realmente a tendência geral é que o tempo estava ficando mais seco. E então essas sociedades que vemos florescer na Idade do Bronze Tardia, que é a época da correspondência de Amarna, a Era de Ouro do internacionalismo nos tempos antigos, também estavam sendo construídas sobre a estrutura de um clima que estava se tornando mais seco, que estava mudando. Então, o que me interessa é como isso muda os quadros, complica os quadros, porque se olharmos para os assírios claramente, eu acho que eles perceberam que o clima estava mudando. Isso, isso explicou em parte sua expansão.
[13:42] Eles foram para áreas onde tinham acesso a boa água de irrigação para que pudessem expandir sua produção agrária. Mas o fato é que temos os registros de suas produções e sabemos que não eram muito bons. Os rendimentos das colheitas que eles têm são extremamente pobres. Mas o que me interessou como historiador não é que eles falharam, é que eles tentaram. Então eles estavam percebendo que algo estava acontecendo e tentaram antecipar, tentaram lidar com isso e se funcionou ou não é, de certa forma, não é tanto o que importa aqui, porque o que quero olhar é como as sociedades tentam lidar com a mudança climática.
[14:21] Então este projeto provavelmente será um dos mais ou o mais importante projeto em que vou trabalhar, o projeto 3CEA, mas também tenho outros projetos em andamento. Outro, na verdade, também está focado na mudança climática na sociedade, mas de um ângulo completamente diferente. Isso faz parte de uma colaboração que temos aqui no OI com o projeto CRANE, que é a Pesquisa Computacional sobre o Oriente Próximo Antigo. É um projeto sediado na Universidade de Toronto, no Canadá, e sou apenas um de muitos parceiros neste projeto muito, muito grande, e estou trabalhando com a Dra. Lynn Welton, que é da Universidade de Durham e que foi pós-doutoranda no OI alguns anos atrás. Foi assim que começamos a colaborar.
[15:05] Isso é o que é ótimo no OI, na verdade: você conhece pessoas e então começa a ter projetos de pesquisa. Então, o que fazemos é que estamos olhando para a resposta social à mudança climática, mas não a partir dos dados arqueológicos ou textuais como faríamos em um projeto como o 3CEA, mas estamos tentando modelá-la usando modelos computacionais. Então eu não sou cientista da computação. Não sou capaz de fazer modelos de jeito nenhum. Mas Lynn Welton é, então ela está desenvolvendo dois modelos diferentes. Um que é um modelo baseado em agentes. Então está modelando uma sociedade agrária e como ela reagiria sob certas condições de estresse.
[15:45] E então o outro que está sendo desenvolvido dentro do projeto CRANE está basicamente usando um dos modelos de circulação geral que é usado pelo IPCC para modelar climas futuros e usá-los para períodos passados e usá-los. Uma das especificidades desse modelo é que ele vai a um nível muito detalhado de análise. A escala é realmente sem precedentes. Então nós seremos capazes de nos concentrar em realmente uma área que abrange aproximadamente o norte da Síria, o sul do sudeste da Anatólia e tentaremos modelar o comportamento.
[16:24] Então, digamos que o modelo climático nos diga: bem, temos este episódio de aridificação por volta do final da Idade do Bronze Tardia, e mais uma vez, o final da Idade do Bronze Tardia é um dos períodos que vamos modelar e examinar. Então, como nossa sociedade modelo responderia a isso? Qual seria sua estratégia? Então, digamos, dizemos que damos ao modelo que eles podem, você sabe, expandir seu, o número de campos que estão cultivando ou podem intensificar seu cultivo e então vemos como, o que acontece. Modelamos isso através de ciclo celular e ciclo e ciclo.
[17:00] Então, é claro que isso não vai nos dizer o que aconteceu no passado, mas esse não é o ponto. Isso está testando cenários e então podemos olhar as evidências que temos do passado e vemos, bem, a evolução no modelo espelha de alguma forma o que temos no terreno, e se não, bem, talvez isso seja uma indicação de que precisamos retrabalhar o modelo, ou talvez seja uma indicação de que nossa teoria de como eles se adaptariam não é a correta. Então essa é uma maneira de olhar as mesmas questões, mas de cabeça para baixo. Então meu papel, meu papel neste projeto é, como eu disse, não a parte do computador porque eu não consigo fazer isso. Mas como historiador, estou trabalhando para tornar o modelo baseado em agentes, especialmente, o mais realista possível porque sei como as sociedades antigas funcionavam, as sociedades agrárias funcionavam.
[17:47] Então estou tentando tornar o modelo o mais próximo possível do que isso, do que sabemos dessas sociedades. Isso é muito emocionante para mim porque está realmente me forçando a olhar as coisas de uma maneira completamente alheia à minha formação pessoal, então é muito emocionante, um pouco assustador, mas muito emocionante.
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[0:05] Hi, I'm Hervé Reculeau. I'm an assistant professor of Assyriology at the University of Chicago here, at the Oriental Institute and in the Department of Near Eastern languages and civilizations and in the College too. My interest with Assyriology started when I was an undergraduate in in France where I studied at the University of Paris 1 Panthéon-Sorbonne. I was an undergrad in history and I was interested in the ancient world and for me that meant mostly, you know, Greek and Roman worlds and then I realized that there were other areas, more ancient ones, and I started taking classes in ancient Mesopotamian history and I, I just got hooked and then I got a PhD and well a masters, a PhD and postdocs and you know, I have a job as an Assyriologist.
[0:49] One of the things that I do as an assistant professor here in Assyriology is that I teach students how to read and decipher cuneiform writing on clay tablets and the language that was noted in these clay tablets, which is Akkadian. Actually I'm not the only one who does this. This is one of the great riches here in the University of Chicago that there are four currently, four Assyriology professors. Martha Roth, Susanne Paulus, John Wee and myself and there's also Rebecca Hasselbach-Andee, who's a linguist but whose work really focuses on Akkadian, so students really have the opportunity to learn from specialists of different periods, different kind of scripts, different kinds of dialects, the different ways in which Akkadian evolved throughout the millennia and that's something that is offered I think almost nowhere else in the world.
[1:40] So I'm currently involved in a collaborative project that's called, we call it for short 3CEA - Coping with Changing Climates in Early Antiquity. So that's a project that involves some faculty and graduate students here at the University of Chicago but also colleagues and students from Perdue University and the University of Michigan. We are very fortunate because we received an award from the Humanities Without Walls consortium, which is funded by the Andrew W Mellon Foundation, to support collaboration and interdisciplinary among the humanities.
[2:12] So this is a project that is looking at how ancient societies in Egypt, in Anatolia, in the eastern Mediterranean dealt with episodes of climate change. So, the evidence that we use to reconstruct climate change, obviously we cannot measure like temperature and rainfall in antiquity because we don't have the measures that we use for modern climate change. So one of the first things that is required is to have proxy data - data that can tell you what the climate was like in the past. So these are things like ice cores, lake sediments, pollens, all these elements that record parts of the climatic patterns in the past. So this is not something that we do ourselves, this is a field that has been booming in the past 30 years that's called paleoclimatology and now this field has reached a degree of maturity where really we have a good idea of how climate evolved throughout the millennia and with dendrochronology and radiocarbon dating we can also point these over the chronological scale.
[3:17] So this is the climatic part. But when you look at climate in societies, of course, you also want to look at the societies part and that's where we come into play because for us what is interesting is not so much how climate evolves through times but how it affected ancient societies. How they perceived climate change. How they reacted to it. So that's where you need to have people who can well excavate and understand archaeological material or read ancient texts like Egyptologists, Hittitologists or myself as an Assyriologist.
[3:52] Well, climate by definition is a very important component of ancient history because all societies in the past were agrarian societies. Even these societies that we study in Mesopotamia, in Egypt, we think of them as urban societies because of course they created very important cities but the background for these cities was agriculture, was the countryside. People that we don't often see in the text because they are not elites. They do not partake to the world of the palace or the temple but they are the people who were sustaining the whole system, the foundations of the societies.
[4:27] So everybody in these societies would have been very aware of anything connected to agriculture and my work really focuses on agriculture. So what matters for people who are working on agriculture? I mean for these, the peasants or the landlords or the tax collectors because the taxes are also based on agricultural production. It's not so much climate actually, it's the weather. It's what kind of weather you get at what, which point in the year, in the agricultural cycle. If you have enough rainfall or irrigation water for your crops to grow, if the temperature is adequate, et cetera, et cetera.
[5:05] So when we look at climate change, we actually look at something a little different. Climate is not the weather. Climate is an extrapolation of the weather, if you will, over a longer period of time. In modern science this is used through statistics. You take all these different factors of climates like rainfall temperature and others and you look at the mean and variability of a period that is conventionally 30 years. Of course, we don't have these statistics for the past but in a way we don't need them because what is important is that everybody perceives climates.
[5:43] I don't do statistics, but I know what kind of weather is expected at that time of year and that's what we all do all the time when we have this small talk about climate. Oh, it's pretty, it's pretty rainy for the season or it's pretty sunny for the season or it's pretty warm. This is because human beings have an anticipation of what their environment, what the weather should be and what interests us as historians of the past is that people act based on these and it's on these expectations. So if the actual climate is changing, what is interesting for us is do they change their expectations?
[6:23] Or do they still stick to this anticipation, these expectations that they have and then maybe behave in a way that will not be optimal for the kind of climate that is now evolving. So one of the things that we are interested in, in this project especially, is to look at ancient climate change in a way that is quite different from the way it is depicted in most popular books or in newspapers when they report about and informally in a lot of, actually in a lot of scientific articles also.
[6:58] As I said we have this very important amount of data that has been produced over the past thirty years and in a way it has taken over the discussion above the discussion on climate change in antiquity and it is of course correlated to the way we are perceiving climate change today and the fears that we have for the future. What we are trying to put back in the picture and trying to make people aware of is that climate change has never been in the past, or I think in the present and future, something that is a deterministic force that you know takes over social agency.
[7:41] So one of the most popular ways of depicting ancient climate change is to look at it as the cause for social collapse. That's a very strong narrative, something that you can read a lot in newspapers, in books, for the general audience, and in some, in some scientific research too. The problem with that discourse is that it usually does not really represent what the material really tells us. One of the main issues is that it's very hard to come, to correlate ancient climatic data, paleoclimatic data and historical data, archeological data because these work at very different scales of time and of space.
[8:27] So when you look at a curve of ancient changes in the climate, sometimes two hundred three hundred years will be just one dot on that curve, but for us as historians there's a lot happening in two hundred years and so one of the things that we are trying to to do is to make people aware that you know the way societies respond, the way human beings act actually have an importance that needs to be taken into consideration for the past and I think also for the present and the future.
[9:00] Let me just take an example, one of the cases that I'm studying on currently is what is called the collapse of the Late Bronze Age. That's one of the most famous cases where you have, in Anatolia, the Hittites on the, in the Levant, in the eastern Mediterranean, in the Aegean, a number of societies that disappear roughly at the same times, around the 12th century BC and there's one important narrative about this collapse that says well this was correlated with an abrupt climatic event around the 12th to 10th century BC.
[9:43] Now, the difficulty is how did they correlate and can we, can we make correlation equate causation? And that's where often the logical fallacy is. Because as I said, we have these difficulties in time scale. So, first of all when you look at the detail, at the data carefully, you realize that collapse is maybe too big of a word. There are many cases where patterns of continuity can be found if you look for them. So that's one of the first issues. The second one, I think more generally, and that's something that Eric Cline pointed out in a book that he published a few years ago about that very episode of collapse, is that it's very rare in history that one single cause creates social collapse.
[10:26] It's always what he calls a perfect storm of calamities that makes societies go past a certain tipping point. But more importantly for, for us in the project and for me, especially in my work, what I'm trying to see is do we really have an abrupt episode that is working on this, in this pattern of, you know, climate, bad climate, causes social collapse? This is a very strong narrative because it's simple. Good climate, civilization. Bad climate, end of civilization. That's very easy. Everybody understands that. The problem is that it's not true.
[11:11] So one of the things that I did when I was working, I was interested in Assyria at first because that's what I would study as a cuniformist and also because it's a very interesting situation, Assyria, in that same period because they did not collapse. This is, there's this general assumption that they went through harder times, at least as a political entity. But they did not collapse, they survived and around the 9th century BC they became one of the leading and then the leading Imperial policy in the Middle East. So it's interesting to look at the ones who survived through that "abrupt" episode and when you look at the data and especially, I was looking at textual evidence that comes not from that time of the collapse but just before - the 14th and especially the 13th century BC.
[11:56] We have cuniform records from a city called Dur Katlimmu in Syria. And these are the records of the harvests on the fields. And what is interesting is that through the archaeological and the textual record we can see that, at that point, when the Assyrians were expanding in the Syrian Jazira. They also apparently had a very strong program of agrarian development and this involved irrigation. Now that's interesting because in Assyria traditionally, it's more of a rain-fed agriculture country.
[12:29] So irrigation is not part of their traditions. So they're expanding militarily, they're expanding their politics, and they're also expanding their agrarian practices in areas where you need irrigation and also probably in a time when the climate was also becoming drier. So what was interesting for me, when I looked at this, is that this so-called abrupt episode, once again it's abrupt for 200 years, but it comes at the very end of a long trend that started at the end of the 3rd millennium BC.
[13:00] So all throughout the second millennium BC the weather was getting, I mean there are ups and downs, but really the general trend is that the weather was getting drier. And so these societies that we see flourishing in the Late Bronze Age, that's the time of the Amarna correspondence, the Golden Age of internationalism in the ancient times, these were also being built on the frame of a climate that was becoming drier, that was changing. So what interests me is how this changes the pictures, complicates the pictures, because if we look at the Assyrians clearly, I think that they perceive that climate was changing. That's, that explained partly their expansion.
[13:42] They went to areas where they had access to good irrigation water so that they could expand their agrarian production. But the fact is we have the records of their productions and we know that they were not very good. The harvest yields that they have are extremely poor. But what interested me as a historian is not that they failed, it's that they tried. So they were realizing that something was happening and they tried to anticipate, they tried to deal with it and whether they, it worked or not is in a way not so much what matters here because what I want to look at is how societies try to cope with climate change.
[14:21] So this project is probably going to be one of the most or the most important project I'm going to work on, the 3CEA project, but I have also other projects that are ongoing. Another one actually is also focusing on climate change in society, but from a completely different angle. That's part of a collaboration that we have here at OI with the CRANE project, which is the Computational Research on the Ancient Near East. It's a project that is hosted at the University of Toronto in Canada and I'm just one of many partners in this very, very big project and I'm working with Dr. Lynn Welton who's from Durham University and who was a postdoc at the OI a few years ago. That's how we started collaborating.
[15:05] That's what is great with the OI actually, you meet people and then you start having research projects. So what we do is that we are looking at social response to climate change, but not from the archaeological or the textual data as we would do in a project like 3CEA, but we're trying to model it using computer models. So I'm not a computer scientist. I'm not able to do models at all. But Lynn Welton is, so she is developing two different models. One that is an agent-based model. So it's modeling an agrarian society and how they would react under certain conditions of stress.
[15:45] And then the other one that is being developed within the CRANE project is basically using one of the general, general circulation models that is being used by the IPCC to model future climates and to use them for past periods and to use them. One of the specificities of that model is that it goes to a very detailed level of analysis. The scale is, is really unprecedented. So we are, we will be able to focus on really an area that roughly encompasses northern Syria, southern southeastern Anatolia and we'll try to model behavior.
[16:24] So, let's say we, the climate model tells us well we have this aridification episode around the end of the Late Bronze Age, and once again, the end of the Late Bronze Age is one of the periods that we are going to model and look at. So, how would our model society respond to that? What would be their strategy? So say, we say that we give into the model that they can, you know, expand their, the number of fields that they're cultivating or they can intensify their cultivation and then we see how, what happens. We model this through cell cycle and cycle and cycle.
[17:00] So, of course this is not going to tell us what happened in the past, but that's not the point. This is testing scenarios and then we can look at the evidence that we have from the past and we see, well, does the evolution in the model mirror in any way what we have on the ground and if not, well, maybe that's an indication that we need to rework on the model, or maybe that's an indication that our theory of how they would adapt is not the right one. So that's a way to look at the same questions, but upside down. So my role So my role in this in this project is, as I said, not the computer part because I cannot do it. But as a historian, I'm working on making the agent base model, especially, the most realistic because I know how ancient societies worked, agrarian societies worked.
[17:47] So I'm trying to make the model the closest possible to what this, to what we know from these societies. That's very exciting for me because that's really forcing me to look at things in the way that are completely alien to my personal training so it's very exciting, a little scary, but very exciting.
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Atribuição
"Entrevista com Hervé Reculeau para o Projeto de História Oral do Oriental Institute" por The Institute for the Study of Ancient Cultures (https://www.youtube.com/@isac_uchicago), licenciado sob CC BY 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/). Vídeo original: https://www.youtube.com/watch?v=albBUlAielc. Esta página é uma transcrição em texto do vídeo com quebras de parágrafo e carimbos de data/hora adicionados; o criador não é afiliado e não endossa o Vidleaf. O Vidleaf adicionou pontuação por IA e um resumo gerado por IA; o texto original permanece disponível nesta página.
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