TRANSCRIÇÃO · CC BY 3.0

“Mothering Monsters: Mary Shelley’s Frankenstein” por Anne K. Mellor

Tradução automática para o português do Brasil. Gerada e salva em 2026-10-23. Pode conter erros; confira os termos e as citações na versão em inglês e no vídeo original. Os horários são os mesmos da fonte. A transcrição original em inglês está disponível abaixo.

Anne K. Mellor lê Frankenstein através da história familiar de Mary Shelley, maternidade, rejeição e as responsabilidades de criar vida.

Departamento de Inglês, Universidade Estadual do Arizona · Publicado em · 1 h 17 min · Inglês · Licença: CC BY 3.0 · Fonte: assistir no YouTube

Fonte da transcrição: legendas enviadas pelo criador no YouTube. Pontuação por IA adicionada pelo Vidleaf; redação original e âncoras de carimbo de tempo preservadas. A transcrição original está disponível abaixo.

Resumo gerado por IA

Anne K. Mellor lê Frankenstein através das experiências de Mary Shelley com família, maternidade, perda e rejeição. A palestra conecta esses temas com a tentativa de Victor de criar vida e sua recusa em cuidar da criatura. Também examina o cenário científico do romance e desenvolve um argumento sobre a responsabilidade pelas consequências da pesquisa. Passagens posteriores estendem a interpretação de Mellor para alegoria política, raça e debates sobre biotecnologia. A página preserva a palestra como uma leitura acadêmica particular do romance, com passagens com carimbos de data/hora que permitem aos leitores acompanhar como seus argumentos biográficos, literários e éticos estão conectados.

Pontos-chave

  • [10:21] Mellor introduz uma leitura feminista do romance através da maternidade e da criação de vida.
  • [35:01] A rejeição da criatura está conectada com a discussão da palestra sobre infância e pertencimento.
  • [1:05:31] Mellor desenvolve uma ética de cuidado e responsabilidade pelas consequências da criação.

Gerado a partir da transcrição. Verifique as passagens vinculadas em relação ao vídeo original. Resumo e pontos-chave revisados pelo Vidleaf em 2026-10-21.

Visão geral completa

Esta Ian Fletcher Memorial Lecture apresenta Anne K. Mellor, Distinguished Professor de Literatura Romântica, Estudos sobre a Mulher e Arte e Literatura na UCLA, elogiando seu trabalho sobre Blake, Romanticism and Gender e Mary Shelley e observando que sua orientação de duas gerações de estudiosos é sua conquista mais importante. A palestra lê Frankenstein através da origem familiar de Mary Shelley — o pai William Godwin e a mãe Mary Wollstonecraft — e através da maternidade, do trauma de infância e da rejeição: de suas cinco gestações, apenas uma criança sobreviveu até a idade adulta, e o romance é lido como sendo fundamentalmente sobre um homem tentando ter um bebê sem uma mulher. Ela traça a origem do romance ao sonho de Shelley na edição de 1831 e ao verão de 1816 em Genebra com Percy Shelley, Claire Clairmont, Byron e o médico de Byron, quando a erupção do Monte Tambora trouxe tempo frio e uma competição de histórias de fantasmas, e conecta o horror do sonho às próprias perdas de Mary Godwin, incluindo a morte de seu primeiro bebê, Clara, duas semanas após um parto prematuro. A palestra examina o medo de Victor Frankenstein da sexualidade feminina e o contexto científico do romance em Humphry Davy, Erasmus Darwin, Luigi Galvani e nos experimentos elétricos de Aldini, argumentando que seu projeto fracassa porque a Mãe Natureza reage e que Shelley endossa a cooperação com a natureza e uma ética do cuidado. Argumenta ainda que o romance carrega uma argumentação política sobre a Revolução Francesa, com a criatura encarnando sua história e Napoleão como o verdadeiro Prometeu moderno, e traça uma analogia com a ciência: os cientistas devem assumir a responsabilidade pelas consequências previsíveis de sua pesquisa. Segmentos posteriores abordam a engenharia da linhagem germinativa e os bebês projetados, incluindo uma conferência da UCLA de 1998, Engineering the Human Germline, e leem a criatura — um gigante de pele amarela marcado como asiático, de quem Walton diz 'Ele não é europeu' — através da bioética e da raça, concluindo que devemos aprender a abraçar a Mãe Criação e que responder com medo escreve tais seres como monstruosos.

Resumos de capítulos com carimbos de tempo

Apresentação de Anne K. Mellor

  • [0:15] O palestrante abre a Ian Fletcher Memorial Lecture, um evento anual que homenageia o foco de Ian nos Estudos Vitorianos e do Século 19.
  • [0:29] O palestrante lamenta nunca ter conhecido Ian na ASU, embora outros o descrevam como um homem maravilhoso cujo trabalho é amplamente conhecido.
  • [1:02] Anne K. Mellor é apresentada como Distinguished Professor de Literatura Romântica, Estudos sobre a Mulher e Arte e Literatura na UCLA, com bacharelado pela Brown e mestrado/doutorado pela Columbia.
  • [1:23] O palestrante encontrou pela primeira vez o trabalho de Mellor por meio de seu estudo "Blake's Human Form Divine", que reorientou os estudos sobre Blake e ainda hoje soa fresco.
  • [2:02] Os trabalhos posteriores de Mellor, incluindo Romanticism and Gender e Mothers of the Nation, ajudaram a ressuscitar escritoras negligenciadas e romperam a abordagem dos "grandes seis" no campo.
  • [3:20] Mellor é descrita como a maior autoridade mundial sobre Mary Shelley, tendo escrito Mary Shelley: Her Life, Her Fiction, Her Monsters e produzido edições de Frankenstein e The Last Man.
  • [4:14] Mellor dirigiu 3 seminários de verão da NEH, recebeu 2 bolsas Guggenheim e ganhou o Prêmio de Estudiosa Distinta da Keats-Shelley Association em 1999.
  • [4:46] O palestrante argumenta que a conquista mais importante de Mellor é orientar duas gerações de estudiosos emergentes, o que não aparece em suas publicações ou prêmios.

A Família de Mary Shelley e as Imagens de Frankenstein

  • [6:48] William Godwin foi o principal filósofo político do final do século 18, inventou o conceito de anarquismo, argumentou que os humanos poderiam se tornar perfeitos se seguissem a razão, e era o pai de Mary Shelley.
  • [7:17] Mary Wollstonecraft, autora de A Vindication of the Rights of Women, foi uma feminista de destaque que argumentou que meninos e meninas deveriam receber exatamente a mesma educação e que as mulheres eram tão capazes de pensamento racional quanto os homens.
  • [7:39] Wollstonecraft sustentava que o casamento ideal, que ela celebrou com Godwin, seria baseado em compatibilidade e afeto, talvez não exatamente tanto em desejo sexual quanto em boa vontade.
  • [8:08] Mary Shelley, batizada Mary Wollstonecraft Godwin, era filha de Godwin e Wollstonecraft; aos 16 anos fugiu com o poeta casado Percy Shelley, que abandonou sua esposa e dois filhos.
  • [8:44] Mary Shelley começou a escrever Frankenstein aos 18 anos e o concluiu aos 19.
  • [8:58] A única imagem da criatura que a própria Mary viu não é Boris Karloff com parafusos, não é Robert De Niro, e não é verde; a criatura é na verdade um sujeito bastante bonito, e o gravador claramente estava pensando no Adão de Michelangelo do teto da Capela Sistina.

Leitura Feminista de Frankenstein

  • [9:50] Frankenstein tem sido historicamente lido como uma história sobre um cientista cujo monstro destrói seu criador.
  • [10:21] De uma perspectiva feminista, o romance é fundamentalmente sobre o que acontece quando um homem tenta ter um bebê sem uma mulher, e dá errado.
  • [10:43] Victor monta uma criatura a partir de pedaços humanos e animais retirados de cemitérios, casas de ossos e matadouros.
  • [11:43] A linguagem de Shelley descrevendo o primeiro sopro e o movimento convulsivo da criatura usa a imagética do parto.
  • [12:48] A cena parodia Pigmalião e Galateia: Victor tenta criar um humano belo e superior, mas fica aterrorizado com um único olhar e foge.
  • [14:16] A criatura estende a mão, emite sons inarticulados e sorri — o que um bebê faria em direção ao seu progenitor —, mas Victor fica horrorizado e foge.
  • [15:01] Victor não tem nenhum senso de identificação ou vínculo maternal com a criatura e nunca pergunta se ela gostaria de ter sido criada.
  • [15:24] Victor fez a criatura com 8 pés de altura porque peças maiores são mais fáceis de trabalhar, o que era muito mais alto do que um homem alto da época de Shelley, com 5 pé e 9 polegadas.

Estimativa da Altura do Gigante

  • [15:58] Estima-se que o gigante tenha entre 11 e 12 pés de altura.
  • [16:02] Com esse tamanho, estaríamos olhando para cima para ele, chegando bem até o teto.

A Origem de Frankenstein: Shelley, Genebra e Tambora

  • [16:12] A origem imediata do romance vem das próprias ansiedades de Mary Shelley em relação ao parto.
  • [16:28] O romance surgiu de um sonho que Shelley teve, conforme ela relata na introdução da edição de 1831.
  • [16:48] Percy Shelley, Mary, Claire Clairmont, Byron e o médico de Byron estavam todos em Genebra no verão de 1816.
  • [17:02] O evento pode ser datado por um evento geológico: a erupção do Monte Tambora no arquipélago indonésio em abril de 1815.
  • [17:23] A erupção lançou cinzas no ar que sopraram para oeste sobre a Europa, tornando aquele verão tão frio que o sol nunca brilhava, nevava na Inglaterra e fazia um frio congelante na Suíça.
  • [17:40] Confinados dentro de casa, os cinco jovens leram histórias de fantasmas e então realizaram uma competição para cada um escrever a história de fantasma mais assustadora possível.
  • [18:03] Percy Shelley e Byron desistiram rapidamente, mas o médico de Byron, John Polidori, escreveu "The Vampire", publicado sob o nome de Byron e origem do Drácula.
  • [18:33] Mary Shelley descreve ter ficado acordada após a conversa até que sua imaginação, sem ser convidada, lhe deu imagens vívidas, incluindo o pálido estudante de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa.

O Horror de Frankenstein Diante da Criação de Vida

  • [19:15] O narrador vê um fantasma humano hediondo estendido e se agitando com um movimento inquieto e semivital a partir de um motor poderoso.
  • [19:25] Seria sumamente terrível para qualquer humano zombar do estupendo mecanismo do Criador do mundo.
  • [19:37] O sucesso aterrorizaria o artista, que fugiria horrorizado de sua obra odiosa.
  • [19:44] Ele esperaria que a leve faísca de vida que comunicou se apagasse e que a coisa imperfeitamente animada afundasse em matéria morta.
  • [19:57] Ele poderia dormir acreditando que o silêncio do túmulo extinguiria a existência transitória do cadáver hediondo que vira como o berço da vida.
  • [20:06] Ele é despertado para encontrar a coisa horrenda ao lado de sua cama, abrindo as cortinas e olhando para ele com olhos amarelos, aguados, mas especulativos.
  • [20:18] O narrador diz que abriu os próprios olhos em terror.

As Perdas de Mary Shelley e a Faísca da Vida

  • [20:25] A questão é o que aterrorizou Mary Wollstonecraft Godwin nessa imagem, antes de ela ser casada com Percy.
  • [20:52] Um ano e meio antes do sonho, ela fugiu com Percy aos 16 anos e engravidou imediatamente.
  • [21:05] 18 meses antes de 16 de junho de 1816, ela deu à luz prematuramente uma menina batizada Clara, que morreu 2 semanas depois.
  • [21:22] Depois que o bebê morreu, Mary registrou em seu diário um sonho recorrente de o bebê voltando à vida ao ser esfregado diante do fogo.
  • [21:41] Em seu sonho ela já associava trazer os mortos de volta à vida com o fogo, uma faísca de vida.
  • [21:53] Seis meses antes do sonho ela deu à luz uma segunda vez, a um menino batizado William, nascido em janeiro de 1816.
  • [22:01] Enquanto escrevia o manuscrito de Frankenstein, ela esteve grávida pela terceira vez de junho até maio de 1817.
  • [22:18] Ela deu à luz uma terceira criança, uma menina batizada Clara Everina em homenagem à menina morta, nascida em 21 de setembro de 1817.

As Ansiedades de Mary Shelley por Trás de Frankenstein

  • [22:35] O sonho e a origem de Frankenstein surgiram das ansiedades mais profundas de Mary Godwin em relação ao parto.
  • [22:48] Ela tinha apenas 18 anos, não era casada e havia engravidado 3 vezes enquanto escrevia.
  • [23:06] Ela fazia perguntas como se seu filho nasceria deformado ou como um aberração, se conseguiria criar uma criança normal e saudável, amá-la, ou lidar se ela morresse.
  • [23:27] Sua primeira filha havia morrido, e pelo menos 70% dos bebês na Europa morriam no primeiro ano de vida naquela época.
  • [23:40] Das 5 gestações que Mary Shelley teve em sua vida, apenas uma criança sobreviveu até a idade adulta.
  • [23:51] Ela perguntava se poderia algum dia querer que seu filho morresse ou querer matar seu filho.
  • [24:10] Mulheres jovens dando à luz pela primeira vez nem sempre se apaixonam poderosamente por seus recém-nascidos; isso hoje é medicalizado como depressão pós-parto.
  • [24:30] Mary Shelley pode ser a única escritora que entendeu esse fenômeno, pode até tê-lo experimentado ela mesma, e há pouco apoio para essas mulheres jovens.
  • [24:48] Algumas mulheres nunca chegam a amar seus filhos, e Mary Shelley registra essa possibilidade no sonho em que o criador fica horrorizado com sua criação.

Mary Shelley, a Maternidade e Frankenstein

  • [25:03] Mary Wollstonecraft se perguntava durante cada gravidez se seu filho poderia matá-la porque ela havia matado sua própria mãe.
  • [25:05] Mary Wollstonecraft morreu ao dar à luz Mary Wollstonecraft Shelley.
  • [25:15] A rejeição imediata e horrorizada de Victor Frankenstein à sua criança pode expressar, em nível psicológico, a hostilidade que algumas mães sentem ou temem sentir em relação a seus recém-nascidos.
  • [25:41] Shelley começa claramente se identificando com Victor Frankenstein, mas à medida que o romance se desenvolve, suas simpatias e identificação se deslocam do criador para a criatura.
  • [26:06] Depois que Victor foge, a criatura sai pelo mundo sozinha em busca de conforto e de algum tipo de família.
  • [26:12] Com 8 pés de altura, a criatura aterroriza as pessoas por onde passa, e elas fogem.
  • [26:25] Em certo momento a criatura tenta salvar uma menina que se afogava, mas o namorado dela atira nele, convencido de que ele está tentando afogá-la em vez de salvá-la.

A Infância Traumática de Mary Shelley

  • [26:43] Após o nascimento de Mary Wollstonecraft Godwin e a morte de sua mãe, William Godwin cria tanto a recém-nascida quanto Fanny Imlay, filha de três anos de Mary Wollstonecraft com um amante anterior, Gilbert Imlay.
  • [27:12] Godwin contrata uma babá, Louisa Jones, que é uma mãe dedicada por três anos, até se apaixonar pelo discípulo de Godwin, George Dyer.
  • [27:44] Desaprovando Dyer, Godwin dá a Louisa um ultimato para desistir de George ou ir embora, e ela vai embora, então aos três anos Mary perde a única figura materna que conheceu e se sente abandonada e rejeitada.
  • [28:03] Godwin procura por dois anos outra mulher para cuidar das crianças, então conhece Mary Jane Clairmont em uma varanda adjacente.
  • [28:36] Mary Jane Clairmont se dizia viúva, embora nunca tenha se casado e tivesse dois filhos ilegítimos com idades próximas às de Mary e Fanny, o que Godwin considera ideal; eles se casam e têm um filho, William.
  • [29:09] Os diários e cartas de Mary Shelley descrevem esse período como sendo como Cinderela com uma madrasta má, pois a Sra. Godwin a tratava mal e favorecia seus próprios filhos.
  • [29:28] A Sra. Godwin era particularmente hostil a Mary porque visitantes famosos da casa dos Godwin só queriam conhecer a filha de Godwin e Wollstonecraft; Coleridge pediu para conhecer Mary e leu para ela The Rime of the Ancient Mariner quando ela tinha oito anos.
  • [29:54] Mary cresce sentindo-se rejeitada e malquista, e sua madrasta recusa-lhe lições, dando lições especiais de francês apenas à própria filha, embora Mary ainda receba uma excelente educação de Godwin.
  • [30:20] Godwin dá às crianças tarefas de casa e duas horas diárias em seu escritório para revisá-las, e Mary aprende uma quantidade enorme com ele.
  • [30:33] Emocionalmente, Mary se sente completamente rejeitada, assim como a criatura; sua rejeição torna-se tão profundamente psicológica e psicossomática que aos 12 anos ela desenvolve feridas por todo o corpo, que desaparecem em 3 a 4 semanas na praia, mas retornam ao voltar para casa.

Paralelos entre Mary Shelley e a Criatura

  • [31:10] David Baxter, de Dundee, escreve a Godwin oferecendo ajuda, e Godwin envia sua filha problemática de 14 anos, Mary, para ficar com a família Baxter.
  • [31:59] Mary passa 2 anos com os Baxter, sentindo-se acolhida, mas ainda uma estranha para a família deles.
  • [32:11] No romance, a criatura passa 2 anos observando a família De Lacey pelo buraco da fechadura e aprende francês perfeito enquanto eles ensinam Safie.
  • [33:04] Tanto a criatura quanto Mary experimentam rejeição enquanto observam uma família feliz.
  • [33:17] A criatura lê livros do casaco de Victor que Mary Shelley também estava lendo enquanto escrevia Frankenstein, incluindo Paraíso Perdido, Vidas de Plutarco e Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe.
  • [33:53] A criatura também lê os relatórios de laboratório de Victor e aprende a história de sua própria criação.
  • [34:05] O diário de Godwin registrava seus encontros com Mary Wollstonecraft, e o trabalho detetivesco de William Saintclair mostrou pontos marcando quando eles tiveram relações sexuais, então Mary pôde descobrir a noite exata de sua concepção.
  • [34:54] Mary compartilha com a criatura a sensação de não ter lugar no mundo quando ele sai para ele.

A Rejeição da Criatura e o Medo de Shelley

  • [35:01] A criatura não tem modelo, ninguém para imitar, pertencer ou em quem confiar.
  • [35:10] No nível psicológico, a rejeição, o abandono e o isolamento da criatura articulam o medo mais profundo de Mary Shelley sobre si mesma.
  • [35:29] Shelley também era uma criança não amada, abandonada e rejeitada e temia que pudesse crescer e se tornar um monstro.
  • [35:41] A criatura diz repetidamente: "Eu era benevolente e bom; a miséria me tornou um demônio."
  • [35:52] A criatura é finalmente rejeitada pela família De Lacey; o pai De Lacey é cego, o que é significativo.
  • [36:03] A criatura espera dois anos por um momento em que o pai De Lacey está sozinho, depois que Felix, Agatha e Safie saem de casa.
  • [36:26] O pai De Lacey responde de forma totalmente positiva, acolhendo a criatura para ficar como convidado, já que a criatura fala como um cavalheiro francês.
  • [36:42] Felix retorna, vê o gigante curvado sobre seu pai, presume que ele quer machucá-lo, agarra seu pai e foge correndo.
  • [36:56] É quando a família De Lacey sai do romance e a criatura realiza seu primeiro ato de violência, incendiando a cabana e dançando ao redor dela.

A Criatura Mata o Irmão de Victor

  • [37:20] A criatura procura seu criador, Victor Frankenstein, para exigir um relacionamento familiar e companhia.
  • [37:32] A caminho de Genebra para encontrar Victor, a criatura encontra um menino loiro de olhos azuis que o chama de ogro e diz ser filho de Alphonse Frankenstein.
  • [37:54] A criatura reconhece o menino como o irmão mais novo de Victor, um membro de sua própria família.
  • [38:04] No romance, a motivação da criatura é adotar a criança e torná-la membro de sua família.
  • [38:10] Ele estende a mão e abraça o menino, mas o abraço o mata.
  • [38:14] Este é o momento no romance em que perdemos pela primeira vez a identificação e a simpatia pela criatura.
  • [38:26] Mary Shelley registra aqui seu medo mais profundo sobre si mesma: que ela é capaz de imaginar a si mesma matando seu próprio filho.

Os Medos de Mary Shelley e o Medo de Victor da Sexualidade Feminina

  • [38:44] O nome William é sobredeterminado, funcionando como um ato parricida contra William Godwin, um ato fratricida contra seu meio-irmão William Godwin, e um ato matricida imaginando o assassinato de seu próprio filho.
  • [39:13] O pequeno William Shelley tem o mesmo cabelo loiro encaracolado e olhos azuis que William Frankenstein, e ambos têm um melhor amigo cujo sobrenome é Byron.
  • [39:43] Mary Shelley está reconhecendo seu medo mais profundo sobre si mesma e uma síndrome em que uma criança maltratada pode crescer e se tornar um pai/mãe abusivo, e uma criança não amada pode se tornar um monstro.
  • [40:29] Victor inicialmente reconhece alguma responsabilidade por sua criatura e começa a criar uma companheira feminina, viajando para a Inglaterra para estudar obstetrícia e para as Ilhas Órcades para montá-la.
  • [41:32] No meio do caminho, Victor de repente para e despedaça a criatura feminina que vinha criando.
  • [43:21] O medo real de Victor não é infligir dor aos outros, mas criar uma mulher que possa ser independente, recusar-se a obedecer a um pacto feito antes de sua criação, e ser raivosa, sádica, feia e lasciva.
  • [44:26] Victor teme seus poderes reprodutivos e uma sexualidade feminina independente não controlada pelos homens, já que antes dos testes de DNA os homens nunca podiam ter certeza de que seus filhos eram biológicos, a menos que controlassem as práticas sexuais de suas parceiras.

O Medo de Victor Frankenstein da Sexualidade Feminina

  • [45:28] As mulheres nos romances europeus dos séculos 18 e 19, incluindo a família Frankenstein e Safie, são representadas como sem desejos sexuais poderosos.
  • [46:14] Safie e Felix nunca sequer se beijam; eles só dão as mãos uma vez.
  • [46:20] A ansiedade de Victor Frankenstein sobre a sexualidade feminina é característica de toda a sua cultura e motiva seu projeto científico.
  • [46:35] O objetivo real de Victor é eliminar a necessidade de fêmeas fazendo com que os machos produzam machos geração após geração.
  • [47:51] O sonho de Victor de Elizabeth se transformando no cadáver de sua mãe morta mostra que ele realmente deseja fêmeas mortas.
  • [48:02] O romance apresenta o despedaçar da criatura feminina quase como uma espécie de estupro.
  • [49:07] Na noite de seu casamento, Victor deixa Elizabeth sozinha para patrulhar os limites do hotel, presumindo que a criatura quer apenas ele, mas a criatura mata Elizabeth.
  • [49:44] Victor abraça Elizabeth com ardor somente depois que ela está morta.
  • [50:30] O romance nasce das ansiedades de Mary Shelley sobre dar à luz e de um medo patriarcal da sexualidade feminina independente; Victor quer destruir a mãe tornando-se a mãe.

A Ciência por Trás de Frankenstein

  • [51:08] Mary Shelley não era cientista, mas tinha um bom domínio da ciência de ponta de seu tempo, aprendida com Godwin, seus visitantes cientistas e Percy Shelley.
  • [51:49] Sir Humphry Davy, fundador da Royal Academy of Science na Inglaterra e criador da Lâmpada do Mineiro, é o modelo para o Professor Waldman.
  • [52:12] Mary Shelley leu e praticamente memorizou o panfleto de 1802 de Davy, e as palestras de Waldman são tiradas dele.
  • [52:45] Davy afirmou que a química dá ao químico poderes quase criativos, permitindo-lhe interrogar a natureza como um mestre com instrumentos, em vez de um estudioso passivo.
  • [53:23] A passagem de Davy carrega uma política sexual em que o cientista é o mestre masculino e a natureza é feminina.
  • [53:52] Davy distinguiu a ciência intervencionista, que ele favorecia, da ciência descritiva, que ele considerava passiva e inferior; Mary Shelley supostamente tinha a visão oposta.
  • [54:42] Erasmus Darwin, tio-avô de Charles Darwin, é o cientista positivo por trás do romance para Shelley.
  • [55:22] Erasmus Darwin descreveu a evolução por seleção sexual, mutação aleatória e sobrevivência do mais apto em notas de rodapé de seu longo poema The Botanic Garden, mas Charles Darwin levou o crédito porque sabia escrever melhor.
  • [56:32] Erasmus Darwin sustentava que a evolução prossegue em uma escada da propagação unissexual para a bissexual, tornando Victor Frankenstein anti-evolucionista e sua criação de uma nova espécie impossível.
  • [57:32] Luigi Galvani, associado à borracha galvanizada, é o último cientista por trás do romance.

Força Vital e Eletricidade

  • [57:46] O palestrante afirma que força vital e eletricidade são a mesma coisa.

Galvani, Aldini e os Experimentos de Reanimação Elétrica

  • [57:53] Galvani era professor de ciência na Universidade de Bolonha, a universidade mais antiga da Europa, no final do século 18.
  • [58:04] Uma escultura de Luigi Galvani está no pátio em frente à Universidade de Bolonha.
  • [58:15] Galvani passava cargas elétricas por animais mortos para reanimá-los, especializando-se em rãs.
  • [58:45] Galvani passou das rãs para as vacas.
  • [58:53] Em junho de 1803, seu sobrinho Giovanni Aldini veio a Londres para passar eletricidade por um cadáver humano.
  • [59:05] Aldini levou o corpo de um criminoso recentemente enforcado, Thomas Foster, da Prisão de Newgate para um teatro de operações e passou cargas cada vez mais fortes por ele.
  • [59:22] Na primeira carga, Foster abriu os olhos, cerrou os punhos e todo o seu corpo entrou em convulsões.
  • [59:37] Aldini concluiu que as ações musculares quase davam uma aparência de reanimação, e que a vitalidade talvez pudesse ter sido restaurada se muitas circunstâncias não a tivessem tornado impossível.
  • [1:00:04] Esta era a ciência de ponta, o mais recente experimento sobre eletricidade, e Victor Frankenstein usa uma faísca elétrica para animar sua criatura.

A Vingança da Mãe Natureza em Frankenstein

  • [1:00:24] No romance de Mary Shelley, Victor Frankenstein não tem sucesso em seu projeto científico nem em se tornar o criador de uma nova raça de Super-homens.
  • [1:00:57] O palestrante sugere que seu experimento falhou porque a Mãe Natureza reage.
  • [1:01:01] A Mãe Natureza primeiro amaldiçoa Victor com doenças: ele fica física e mentalmente doente enquanto cria ambas as criaturas.
  • [1:01:23] Depois de criar a criatura masculina, ele tem um colapso nervoso total e precisa de seu melhor amigo para cuidar dele até se recuperar ao longo de 6 meses.
  • [1:01:38] Ele está tão dominado pela doença que morre de causas naturais aos 26 anos de idade.
  • [1:01:45] Em segundo lugar, a Mãe Natureza persegue Victor com os próprios elementos que ele tentou roubar dela.
  • [1:02:01] Os relâmpagos, trovões e chuva durante suas construções não são apenas um cenário gótico, mas nos lembram do poder elemental da natureza para perseguir Victor.
  • [1:02:34] O palestrante compara essa perseguição aos espíritos que perseguem Orestes na tragédia grega.
  • [1:02:45] Em terceiro lugar, a Mãe Natureza pune Victor privando-o do instinto maternal e parental de se vincular ao próprio filho.
  • [1:02:54] Por fim, ela torna impossível para ele procriar filhos naturais ao fazer sua criatura matar sua noiva na noite de núpcias.
  • [1:03:06] A mensagem do romance é que aqueles que violam a Mãe Natureza serão mortos.

A Ética do Cuidado e a Alegoria Política de Mary Shelley

  • [1:03:26] O romance oferece implicitamente uma alternativa ao projeto de Victor Frankenstein de controlar a natureza e eliminar a sexualidade feminina.
  • [1:03:46] Shelley sugere que a civilização e a espécie humana só podem ser aprimoradas por pessoas que valorizam e cooperam com a natureza.
  • [1:04:04] O único membro da família Frankenstein literalmente vivo no final é o irmão de Victor, Ernest, que insistiu em se tornar fazendeiro em vez de advogado.
  • [1:04:36] O melhor modelo de Shelley para a colaboração natural é uma família nuclear fundamentada em uma dinâmica mutuamente amorosa, respeitosa e igualitária, ecoando o ideal de Wollstonecraft do companheiro no casamento.
  • [1:05:03] A família De Lacey aponta para esse ideal, mas falta uma mãe e, portanto, eles desaparecem do romance.
  • [1:05:31] Shelley endossa o que hoje chamaríamos de ética do cuidado, em que as necessidades de todos são reconhecidas e o cuidado é atendido; quando o amor nutridor de uma mãe está ausente, ou o trabalho é valorizado acima do afeto doméstico, monstros são criados.
  • [1:06:14] Uma passagem na voz de Victor, próxima da própria visão de Shelley, diz que a busca do conhecimento não é exceção à preservação de uma mente calma, e o estudo que enfraquece os afetos é ilegal.
  • [1:07:08] A passagem faz um ponto político: se essa regra tivesse sido observada, a Grécia não teria sido escravizada, César teria poupado seu país, a América teria sido descoberta mais gradualmente, e o México e o Peru não teriam sido destruídos.
  • [1:07:39] Um poderoso argumento político percorre Frankenstein a respeito da Revolução Francesa, com a criatura encarnando sua história desde a bondade inata até o terror.
  • [1:08:01] No subtítulo 'o Prometeu Moderno', Shelley sugere que o verdadeiro Prometeu moderno de sua época era Napoleão, que roubou a ética da justiça da Revolução, lucrou com o terror e reinscreveu a tirania.
  • [1:08:47] Shelley sustenta que o problema da Revolução Francesa foi que os pensadores revolucionários não abriram espaço para aristocratas, católicos romanos e o Rei e a Rainha, mas os executaram, transformando uma possível melhoria em tirania.
  • [1:09:22] Shelley traça uma analogia com a ciência: os cientistas devem assumir a responsabilidade pelas consequências previsíveis de sua pesquisa, incluindo a responsabilidade política e ética.

Engenharia de Linhagem Germinativa e Bebês Projetados

  • [1:09:50] A UCLA é descrita como estando na vanguarda dessa pesquisa científica.
  • [1:10:10] A engenharia de células-tronco altera o DNA de um óvulo pré-fertilizado para sempre antes da implantação.
  • [1:10:26] Uma conferência da UCLA em 1998 chamada Engineering the Human Germline incluiu Craig Venter e Watson.
  • [1:10:56] Os proponentes primeiro visam eliminar doenças genéticas como a Doença de SAX e a Doença de Huntington, depois doenças mentais como o Transtorno Bipolar.
  • [1:11:25] Os proponentes também discutiram melhorar a atratividade e a estabilidade emocional, o que o palestrante compara a Admirável Mundo Novo.
  • [1:11:41] Os proponentes queriam eliminar todas as causas naturais do envelhecimento, e 99% da audiência disseram que fariam isso por seus bebês ainda não nascidos se pudessem pagar.
  • [1:12:21] Uma conferência posterior chamada Babies by Design abordou o Diagnóstico Genético Pré-implantacional para triar óvulos em busca de doenças genéticas e traços como surdez congênita, cegueira, síndrome do intestino e nanismo.
  • [1:13:33] Paul Miller, um anão e líder do movimento Americans with Disabilities Act, disse que isso é equivalente a um Holocausto do ponto de vista das comunidades de surdos, cegos e anões.

Raça e Monstruosidade em Frankenstein

  • [1:13:53] O romance também pode ser lido através da bioética e da raça.
  • [1:14:05] A criatura é um gigante de pele amarela, e a pele amarela é um marcador racial, não icterícia ou doença.
  • [1:14:33] Mary Shelley estava lendo Blumenbach, que desenvolveu as classificações atuais das 5 raças humanas, onde caucasiano é branco e amarelo é asiático.
  • [1:14:49] A criatura é claramente marcada como asiática, e Walton diz dele: "Ele não é europeu."
  • [1:15:00] A criatura representa alguém de outra raça entrando na cultura europeia, o que o palestrante acha que contribui para o medo de Victor Frankenstein.
  • [1:15:17] O argumento implícito do romance é que devemos aprender a abraçar a Mãe Natureza, mesmo o que é radicalmente diferente de nós mesmos.
  • [1:15:38] Se respondermos a tais seres com medo como Victor faz, nós os escrevemos como monstruosos e nos tornamos os autores da monstruosidade.
  • [1:16:02] A fotografia de Diane Arbus do gigante judeu em casa com seus pais no Bronx é oferecida como a alternativa à reação de Victor Frankenstein.

[0:15] Bem-vindos à Palestra Memorial Ian Fletcher, um evento anual que homenageia o foco de Ian nos campos de Estudos Vitorianos e do Século 19. Um dos meus pequenos arrependimentos por estar na ASU, e tive poucos, para aqueles que não obstante, é que nunca tive a chance de conhecer Ian, e conversando com Allan e outros, ele parecia ser um homem positivamente maravilhoso, e praticamente todos que já vieram a esta palestra conhecem bem seu trabalho. Então, agradeço por encontrarem tempo para comparecer a este evento no final de um semestre movimentado e bastante complicado para todos. Sinto-me verdadeiramente honrado em apresentar a palestrante desta noite, Anne K. Mellor, Professora Distinta de Literatura Romântica, Estudos da Mulher e Arte e Literatura na UCLA. Anne recebeu seu BA da Universidade Brown e seu

[1:17] MA e PhD em Literatura Comparada pela Universidade Columbia. Encontrei pela primeira vez o trabalho de Anne enquanto escrevia minha dissertação de mestrado sobre William Blake através de seu estudo inovador intitulado "Blake's Human Form Divine", que serviu para realmente reorientar os estudos sobre Blake, e esse trabalho lançou longas sombras sobre meus próprios esforços blakeanos e ainda é tão atual hoje quanto quando surgiu, apesar de suas afirmações mais cedo hoje. Por exemplo, sempre que escrevo sobre Blake, volto primeiro à minha cópia densamente anotada de seu livro impressionante. É realmente deslumbrante. Depois do livro sobre Blake, ela publicou uma ampla gama de trabalhos que literalmente revolucionaram os estudos românticos, incluindo English Romantic Irony, Romanticism and Gender, Romanticism and Feminism, e Mothers of the Nation, Women's Political Writing in England, 1780

[2:18] a 1830. O trabalho de Anne, mais do que qualquer outro estudioso, levou à ressurreição e subsequente ressurgimento de importantes estudos sobre escritoras negligenciadas e quebrou para sempre a abordagem dos "seis grandes" ao campo que dominava antes de seu surgimento. Esse esforço atingiu o auge com a produção da melhor antologia de estudos românticos atualmente disponível, British Literature 1780 to 1830, e para aqueles de vocês que estão fazendo minha aula neste verão, é o livro didático que estamos usando. Outros trabalhos se seguiram à medida que seu escopo se ampliava, incluindo Forging Connections, Women's Poetry from the Renaissance to Romanticism, e Passionate Encounters in a Time of Sensibility. Ela também editou "Vindication of the Rights of Women" de Mary Wollstonecraft, e "Maria" ou "The Wrongs of Women", bem como outras obras. Claro, o que negligenciei até agora,

[3:20] são as obras que se cruzam com o tema da palestra de hoje sobre Mary Shelley. Ela ofereceu Mary Shelley sua vida, sua ficção, seus monstros, e coeditou Approaches to Teaching Shelley's "Frankenstein", e The Other Mary Shelley Beyond "Frankenstein". Ela também produziu edições de "Frankenstein" e "The Last Man". Através desse trabalho, ela se estabeleceu, para dizer o assunto diretamente, como a maior autoridade mundial sobre a vida e obra de Mary Shelley. Os esforços de Anne na profissão poderiam funcionar como o protótipo de uma carreira exemplar. Ela atua nos conselhos editoriais das revistas mais importantes do meu campo e além, incluindo a MLA, European Romantic Review, 19th Century Contexts, 19th Century Literature, e Women's Studies. Ela dirigiu 3 seminários de verão da NEH e recebeu 2 bolsas Guggenheim. Ela também obteve bolsas do Conselho Americano de

[4:24] Sociedades Eruditas, do NGH e da Rockefeller. Em reconhecimento à sua recasting energética do campo dos estudos românticos, ela recebeu em 1999, o maior prêmio oferecido em meu campo -- o Keats-Shelley Association Distinguished Scholar Award. No entanto, a conquista mais importante de Anne, eu argumentaria, na verdade não aparece em nenhuma de suas publicações e prêmios. Eles são impressionantes, mas ela tem sido uma campeã incansável de estudiosos emergentes, e orientou duas gerações de estudantes em nossa profissão com uma energia e intensidade que continua a repercutir em seus diversos campos de atuação. Uma breve nota lateral, quando eu estava procurando coisas apenas para ter certeza de que tinha tudo certo. Claro que a inevitável pesquisa no Google deve ocorrer,

[5:24] e continua para sempre porque depois das primeiras quatro ou cinco páginas, são simplesmente livros de jovens estudiosos, estudiosos estabelecidos, estudiosos mais velhos nos quais ela tem ensaios, ou pessoas citando-a implacavelmente. Finalmente desisti em 14 páginas. Espero que não se importem. Na verdade, digo isso sinceramente, ela é amada por literalmente todos no meu campo como nenhuma outra estudiosa antes dela, então por favor juntem-se a mim para receber a Professora Anne Mellor, cuja palestra desta noite se intitula "Mothering Monsters: Mary Shelley's Frankenstein". [Aplausos] [Anne Mellor] Sim, luzes apagadas e o projetor de slides ligado, e a primeira imagem.

[6:26] Só quero mostrar algumas imagens de algumas das pessoas sobre as quais vou falar esta noite para que vocês tenham algum registro visual delas, e então chegaremos ao texto do próprio Frankenstein. Todos podem me ouvir lá no fundo? Sim? Mesmo lá no fundo? Ok. Avise-me se não puderem. Este é William Godwin. William Godwin foi o principal filósofo no final do século 18 da teoria política. Ele é o homem que inventou o conceito de anarquismo. Ele também foi o homem que argumentou que os seres humanos poderiam se tornar perfeitos, poderiam se tornar deuses, se seguissem a razão acima de tudo. E ele é, claro, o pai de Mary Shelley.

[7:17] Sua mãe, Mary Wollstonecraft, autora da Reivindicação dos Direitos da Mulher. Principal feminista da época. A mulher que argumentou, realmente pela primeira vez, que meninos e meninas deveriam receber exatamente a mesma educação, que as mulheres eram tão capazes de pensamento racional quanto os homens, e que o casamento ideal, que ela contraiu com William Godwin, seria baseado em compatibilidade, afeto, talvez não tanto em desejo sexual quanto em boa vontade. Na verdade, a noção de Mary Wollstonecraft do casamento perfeito é, primeiro, você encontra o colega de quarto perfeito, e depois disso, o sexo pode ser realmente emocionante, mas você precisa primeiro encontrar um bom colega de quarto.

[8:08] Este é o retrato mais famoso de Mary Shelley, filha de Godwin e Wollstonecraft, batizada Mary Wollstonecraft Godwin, feito no final dos seus 40 anos. Aos 16 anos, ela foge com o poeta casado, Percy Shelley. Ele abandona a esposa e dois filhos para ir para a Europa com ela. Esta é uma imagem dela no início dos seus 20 anos, um pouco depois de ela ter concluído Frankenstein, que ela começou a escrever quando tinha 18 anos e concluiu quando tinha 19. Então, aqueles de vocês que têm mais de 18, precisam se atualizar aqui. [Risos] Esta é a única imagem da criatura em Frankenstein

[9:11] que sabemos que a própria Mary viu. Então, enquanto falo sobre Frankenstein esta noite, quero que vocês pensem nesta imagem, não em Boris Karloff com parafusos saindo da cabeça, não em Robert De Niro com um rosto que parece um baseball suturado, não em uma criatura verde. Ele é na verdade um sujeito bastante bonito, e o gravador desta imagem estava claramente pensando no Adão de Michelangelo do teto da Capela Sistina.

[9:50] Então, voltando ao texto agora. Frankenstein é geralmente, historicamente de qualquer forma, tem sido lido como principalmente uma história sobre um cientista que dá à luz a um monstro que acaba destruindo seu criador. Quero voltar a toda a maneira como ele pensa a ciência neste romance. Quero começar a falar sobre o romance, primeiro de uma perspectiva feminista. Da minha perspectiva, como feminista, este é fundamentalmente um romance sobre o que acontece quando um homem tenta ter um bebê sem uma [Risos] mulher, e claramente tudo dá errado. Então, vou começar primeiro com aquela passagem que isto na verdade ilustra. A passagem em Frankenstein quando Victor Frankenstein, depois de reunir todos os pedaços de corpos,

[10:51] tanto de cemitérios quanto de casas de ossos, pedaços humanos, mas também de matadouros -- pedaços de animais, os juntou, finalmente criou uma criatura. “Foi numa noite sombria de novembro que contemplei a realização dos meus trabalhos. Com uma ansiedade que quase chegava à agonia, reuni os instrumentos da vida ao meu redor, para que eu pudesse infundir uma faísca de ser na coisa sem vida que jazia aos meus pés. Já era uma da manhã; a chuva batia melancolicamente contra as vidraças, e minha vela estava quase queimada, quando, pelo brilho da luz meio extinta, vi o olho amarelo e opaco da criatura se abrir; ele respirou com dificuldade, e um movimento convulsivo agitou seus membros.”

[11:43] Deixe-me fazer uma pausa aqui, e quero que vocês ouçam a linguagem de Mary Shelley aqui. Esta é a imagem do parto, isto é o que acontece depois que você dá à luz. Se a criança não começa a respirar imediatamente, você dá um tapa nela para que respire com dificuldade, um movimento convulsivo agitará seus membros. Aqui está a resposta de Victor Frankenstein: “Como posso descrever minhas emoções diante desta catástrofe, ou como delinear o desgraçado que com tantas dores e cuidados infinitos eu me esforcei por formar? Seus membros eram proporcionais, e eu havia selecionado suas feições como belas. Belas! -- Grande Deus! Sua pele amarela mal cobria o trabalho dos músculos e artérias por baixo; seu cabelo era de um negro lustroso e fluido; seus dentes de uma brancura perolada; mas esses luxos apenas formavam um contraste mais horrendo com seus olhos aguados, que pareciam quase da mesma cor que as órbitas brancas e escuras em que estavam inseridos, sua tez enrugada e lábios negros e retos.”

[12:46] Neste ponto, aqueles de vocês que leram o romance sabem, Victor Frankenstein, depois de dar uma olhada nesta criatura, e em vez de achá-la bela, e isto é uma espécie de paródia de Pigmalião e Galateia na mitologia clássica. Pigmalião se propôs a criar uma escultura da mulher mais bela possível e pegou pedaços de diferentes mulheres, um nariz daqui, um membro dali, e então depois de juntá-la toda, se apaixonou pela escultura. Então os deuses intervêm, e ela ganha vida e o ama de volta. Victor Frankenstein faz a mesma coisa, tenta criar uma versão bela e superior de uma espécie humana, mas dá uma olhada nela, fica aterrorizado, foge, corre para o quarto, literalmente adormece, tem um sonho, e então de repente é acordado porque a criatura se levantou, o seguiu até o quarto e afastou as cortinas da cama. Então ouvimos:

[13:50] “Contemplei o desgraçado -- o miserável monstro que eu havia criado. Ele ergueu a cortina da cama e seus olhos, se é que podem ser chamados de olhos, estavam fixos em mim. Suas mandíbulas se abriram, e ele murmurou alguns sons inarticulados, enquanto um sorriso enrugava suas bochechas. Ele pode ter falado, mas eu não ouvi; uma mão estava estendida, aparentemente para me deter, mas eu escapei e corri escada abaixo.” O que eu gostaria de observar aqui é que o que a criatura faz é o que você esperaria que um bebê fizesse em relação ao seu progenitor. Estendendo a mão para abraçá-lo, sons inarticulados -- fala de bebê, até sorrisos. "Um sorriso enrugava suas bochechas." Victor Frankenstein fica horrorizado e foge. Então, a primeira pergunta que eu queria explorar com vocês é por quê? Por que Victor Frankenstein, afinal, ele passou nove meses olhando para esta criatura, nos é dito que, “Inverno, primavera e verão haviam passado... para renovar a vida onde a morte tinha

[14:53] aparentemente dedicado o corpo à corrupção.” Então, por que ele está tão aterrorizado? Uma das primeiras coisas que você observa, é claro, é que Victor Frankenstein não tem nenhum senso de identificação com sua criatura. Nenhum instinto maternal, nenhum senso de vínculo com sua criatura. Nem uma vez durante os nove meses em que ele a montou ele parou para se perguntar: “Será que esta coisa iria querer ser criada? Será que iria querer nascer?”

[15:24] E o verdadeiro problema, é claro, é que ele fez esta criatura com 8 pés de altura porque, como ele diz, “Peças maiores são mais fáceis de trabalhar do que peças pequenas.” Agora, para entender o horror disso para os leitores de Mary Shelley. Hoje em dia, acho que podemos até ter jogadores de basquete de 8 pés de altura. Eles estão chegando pelo menos a 7 pés. Um homem realmente alto na época de Mary Shelley tinha 5 pés e 9 polegadas de altura. Então, você tem que extrapolar para cima. Então, esta criatura teria, hoje, algo entre 11 e 12 pés de altura. Então, estamos falando de um gigante enorme -- estaríamos olhando para cima para esta coisa se ele estivesse aqui ao meu lado, bem até o teto. Então, tenham isso em mente.

[16:12] O que quero sugerir primeiro sobre este romance é que o romance nasce -- a origem imediata do romance vem das próprias ansiedades de Mary Shelley sobre dar à luz. Sabemos que o romance surgiu de um sonho que ela mesma teve. Ela nos conta isso na introdução da edição de 1831 do romance. A origem do romance é talvez tão famosa quanto o próprio romance.

[16:48] Percy Shelley, Mary, sua meia-irmã Claire Clairmont, o poeta Byron e o médico de Byron estavam todos em Genebra, na Suíça, no verão de 1816. Esta é talvez a única vez que podemos datar um grande evento literário a um evento geológico. Para aqueles de vocês que são cientistas, pode ser interessante saber que foi porque o vulcão Tambora entrou em erupção no arquipélago indonésio em abril de 1815. Ele lançou tanta cinza no ar -- 40 toneladas de material cúbico no ar -- que então soprou para oeste sobre a Europa. Estava tão frio na Europa naquele verão; o sol nunca apareceu, nevou na Inglaterra e estava congelando na Suíça. Então, esses 5 jovens reunidos, tinham pensado que passariam o verão nadando, brincando no lago, ao ar livre. Em vez disso, ficaram confinados

[17:49] à casa. Estavam se divertindo lendo histórias de fantasmas uns para os outros. Decidiram, quando finalmente ficaram sem histórias de fantasmas, fazer uma competição, que cada um tentaria escrever a história de fantasma mais assustadora possível. Percy Shelley sai e escreve um parágrafo, depois desiste, depois escreve algumas linhas de um poema, depois desiste. Byron nem se dá ao trabalho. Claire Clairmont não se dá ao trabalho. A outra pessoa que realmente levou a competição a sério foi o médico de Byron, John Polidori, que na verdade escreveu um conto chamado "O Vampiro", que foi publicado sob o nome de Byron, e é a origem de Drácula. Então, tanto Drácula quanto Frankenstein vêm desta noite. Mary Shelley nos conta que eles estavam falando sobre a competição: “A noite definhou sobre esta conversa, e até a hora das bruxas já havia passado, antes de nos retirarmos para descansar.” E esta não é a origem do romance. "Quando coloquei minha cabeça no travesseiro,

[18:52] eu não dormi, nem se pode dizer que pensei. Minha imaginação, sem ser convidada, me possuiu e me guiou, presenteando as imagens sucessivas que surgiam em minha mente com uma vividez muito além dos limites usuais do devaneio. Eu vi -- com os olhos fechados, mas com aguda visão mental -- vi o pálido estudante das artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que ele havia montado. Vi o fantasma hediondo de um homem estendido, e então, no funcionamento de algum motor poderoso, mostrar sinais de vida, e se agitar com um movimento inquieto, meio vital. Terrível deve ser; pois supreendemente terrível seria o efeito de qualquer esforço humano para zombar do estupendo mecanismo do Criador do mundo. Seu sucesso aterrorizaria o artista; ele fugiria de sua obra odiosa, tomado de horror.

[19:44] Ele esperaria que, deixada a si mesma, a leve faísca de vida que ele havia comunicado se apagasse; que esta coisa, que havia recebido uma animação tão imperfeita, se reduzisse a matéria morta; e ele poderia dormir na crença de que o silêncio do túmulo extinguiria para sempre a existência transitória do cadáver hediondo que ele havia considerado o berço da vida. Ele dorme; mas é acordado; ele abre os olhos; eis a coisa horrenda em pé ao lado de sua cama, abrindo as cortinas e olhando para ele com olhos amarelos, aguados, mas especulativos. Eu abri os meus em terror.”

[20:25] A pergunta que quero fazer primeiro é: o que aterrorizou tanto Mary Wollstonecraft Godwin, neste ponto ela não é casada com Percy, o que a aterrorizou tanto nesta imagem? Para responder a essa pergunta, preciso contar um pouco sobre a biografia dela. Um ano e meio antes de ter este sonho, Mary Wollstonecraft Godwin, tendo fugido com Percy aos 16 anos, engravida imediatamente.

[21:05] 18 meses antes de 16 de junho de 1816, ela tem uma menininha -- ela deu à luz prematuramente a ela, que batizou de Clara, e que morre 2 semanas depois. Depois que aquela menininha morre, Mary tem um sonho recorrente que registra em seu diário. “Sonhei que meu bebê voltou à vida; que só estava com frio, e que o esfregamos diante do fogo, e ele viveu. Acordada e não encontro o bebê.” Então, já em seu sonho, ela associa trazer os mortos de volta à vida com fogo, uma faísca de vida. Agora, seis meses antes de ter o sonho, ela dá à luz uma segunda vez, desta vez um menino, que é batizado de William. Ele nasce em janeiro de 1816. Enquanto ela escreve o manuscrito de Frankenstein, ela está grávida

[22:09] pela terceira vez de junho até maio de 1817. É quando ela está escrevendo o manuscrito. Ela finalmente dá à luz um terceiro filho, uma menininha batizada de Clara Everina em homenagem à menininha morta. Essa filha nasce em 21 de setembro de 1817. O que eu queria sugerir neste ponto é que este sonho, e a origem de Frankenstein, surgiram das próprias ansiedades mais profundas de Mary Godwin sobre dar à luz. Lembrem-se, ela é muito jovem -- tem apenas 18 anos, não é casada, esteve grávida 3 vezes enquanto escrevia, e está experimentando, eu acho, as perguntas que qualquer garota muito jovem, solteira e frequentemente grávida estaria se fazendo.

[23:06] Perguntas como: “E se meu filho nascer deformado? Um monstro? Serei capaz de criar uma criança normal e saudável? Serei capaz de amar meu filho? E se meu filho morrer? Como eu me sentiria então?” Porque não apenas, é claro, sua primeira filha havia morrido, mas esta era uma época em que havia uma taxa de mortalidade infantil incrivelmente alta na Europa. Pelo menos 70% dos bebês morriam dentro do primeiro ano de vida. De fato, das 5 gestações que Mary Shelley teve em sua vida, apenas uma criança sobreviveu até a idade adulta. Quinta pergunta: “Eu poderia algum dia querer que meu filho morresse? Eu poderia algum dia querer matar meu filho?” Isso, eu acho, é algo que é muito difícil para nós ouvirmos através do romance, mas as jovens mulheres

[24:10] que dão à luz pela primeira vez nem sempre se apaixonam poderosamente por seus bebês recém-nascidos. Agora medicalizamos essa condição — chamamos de depressão pós-parto. Há muitas jovens que simplesmente não criam vínculo com seus filhos recém-nascidos. Eu acho que Mary Shelley é a única escritora que realmente entendeu esse fenômeno, pode até tê-lo vivenciado ela mesma, e infelizmente, não temos muito em termos de apoio para essas jovens. Apenas dizemos: “Ah, você vai superar isso, é uma fase. Você vai acabar amando seu filho se amamentá-lo, se passar tempo suficiente com ele.” Algumas mulheres nunca chegam a amar seus filhos, e eu acho que Mary Shelley está registrando essa possibilidade neste sonho, no qual o criador fica horrorizado com sua criação. E então a última pergunta que ela deve estar se fazendo a cada uma de suas gestações: “Meu filho poderia me matar porque eu matei minha mãe?” Mary Wollstonecraft morreu ao dar

[25:15] à luz Mary Wollstonecraft Shelley. Então, a rejeição imediata e horrorizada de Victor Frankenstein à sua criança, neste nível psicológico, expressa a hostilidade que algumas mães sentem ou temem sentir em relação a seus bebês recém-nascidos. No entanto, no romance, como você saberia se o tivesse lido, as simpatias da autora, a identificação; ela começa claramente se identificando com Victor Frankenstein — ela olha para cima com terror, ele olha para cima com terror para a criatura. Mas à medida que o romance se desenvolve, suas simpatias, sua identificação, mudam — deslocam-se do criador para a criatura. E é claro, o que acontece com essa criatura, depois que Victor Frankenstein foge, ele se levanta e sai para o mundo sozinho, buscando conforto, buscando algum tipo de família. É claro, tendo 8 pés de altura,

[26:21] sendo um gigante enorme, onde quer que vá, as pessoas olham para ele uma vez, ficam aterrorizadas, fogem. Em um momento, ele está tentando salvar uma garota que se afoga e o namorado dela aparece e atira nele porque está convencido de que ele está tentando afogá-la em vez de salvá-la. Então, o que estamos abordando neste nível do romance, eu sugeriria, é novamente profundamente autobiográfico. Após o nascimento de Mary Wollstonecraft Godwin e a morte de sua mãe, William Godwin fica não apenas com uma bebê recém-nascida para criar, mas também com uma menina de três anos que é filha de Mary Wollstonecraft com um amante anterior, Gilbert Imlay. Uma menina conhecida como Fanny, Fanny Imlay. Então, Godwin faz o que um viúvo solteiro faria na Inglaterra nesta época. Ele corre e contrata uma babá para criar essas duas meninas. Uma mulher chamada Louisa Jones. Por três anos,

[27:26] Louisa Jones é uma mãe dedicada para essas meninas, mas quando Mary tem três anos, Louisa se apaixona por um dos discípulos de Godwin, um homem chamado George Dyer. Godwin não aprova realmente esse discípulo, em parte porque ele é um jogador, ou é um alcoólatra — ele não quer que ele fique rondando a casa. Então, ele dá a Louisa um ultimato: desista de George, ou vá embora. Louisa escolhe ir embora. Aos três anos, Mary perde a única figura materna que já conheceu, então mais uma vez, ela está sem mãe, ela se sente abandonada, rejeitada. Godwin então parte em uma busca de dois anos para encontrar outra mulher para cuidar dessas crianças. Então chega o dia em que Mary tem cerca de cinco anos. Godwin mora em uma duplex em Londres, e há uma varanda, e ele está em sua varanda. Ele olha para a varanda adjacente, e há uma mulher madura parada ali. Ela olha para ele,

[28:28] e ela diz: “É este o divino Godwin que eu contemplo?” Ao que ele responde: “Bem, sim, é! Você é casada?” Acontece que Mary Jane Clairmont, como ela se chamava, dizia-se viúva, embora na verdade nunca tenha se casado, e tinha dois filhos ilegítimos. Seus dois filhos têm aproximadamente as idades de Mary e Fanny. Então, Godwin acha isso ideal. Certo. Eles se casam, e Mary Jane Clairmont, Sra. Godwin e Sr. Godwin, então têm um filho próprio, um menino a quem chamam William. Se você ler os diários de Mary Shelley, cartas descrevendo esse período de sua vida, é como se ela fosse Cinderela com uma madrasta má. A Sra. Godwin claramente a tratava mal; sempre favorecia seus próprios filhos às custas dos filhos de Wollstonecraft,

[29:28] era particularmente hostil a Mary porque sempre que alguma pessoa famosa vinha à casa dos Godwin, a única criança que queriam conhecer era a filha de Godwin e Wollstonecraft — eles não se importavam com os filhos de Mary Jane Clairmont. De fato, Coleridge veio e pediu para conhecer Mary, e leu para ela o Rime of the Ancient Mariner quando ela tinha oito anos. Então, Mary cresce sentindo-se realmente rejeitada, desgostada, sua madrasta não a deixa ter aulas — ela dá aulas especiais de francês para sua própria filha, mas não as dá para Mary. Embora Mary, devo dizer, receba uma excelente educação de Godwin. Porque Godwin basicamente se tornará um grande filósofo, mas ele está disposto a ensinar seus filhos.

[30:20] Ele lhes dá tarefas de casa, e todos os dias eles passam duas horas em seu escritório onde revisam suas tarefas com ele. Ela aprende — ela é claramente brilhante — mas aprende uma quantidade enorme com Godwin. Emocionalmente, ela se sente completamente rejeitada, assim como a criatura. De fato, sua rejeição se torna tão profundamente psicológica e psicossomática que quando ela tem 12 anos, ela aparece com feridas por todo o corpo. Eles a enviam para o litoral para curá-la, e enquanto ela está longe de sua madrasta, ela fica bem. Ela melhora em 3 a 4 semanas. Volta para casa, e imediatamente começa a brigar com sua madrasta novamente.

[31:05] Justamente neste ponto, Godwin recebe uma carta de um de seus fãs. Alguém que ele nunca conheceu. Um homem chamado David Baxter, que mora em Dundee, Escócia. David Baxter escreve para ele e diz: “Sou um homem rico, tenho uma família grande, moro em Dundee, que fica a 600 milhas de Londres, e leio suas obras o tempo todo, admiro-o enormemente. Se houver algo que eu possa fazer por você, basta me avisar.” Godwin imediatamente responde e diz: “A propósito, há algo que você pode fazer por mim. Tenho uma filha que está me causando muitos problemas — posso enviá-la para você?” E David Baxter diz: “Bem, é claro.” E assim, Mary é enviada aos 14 anos, sozinha, 600 milhas, para Dundee, sozinha, para ficar com uma família que é totalmente estranha para ela.

[31:59] Ela passa 2 anos lá, meio que observando de fora essa família feliz onde ela se sente acolhida, mas ainda assim, eles não são sua família. Lembre-se de que no romance, a criatura, depois de deixar o laboratório de Frankenstein, sai, vagueia pela floresta e finalmente encontra uma família — a família De Lacey, morando em uma casa de campo na floresta, e ele passa literalmente 2 anos olhando pelo buraco da fechadura para essa família, aprendendo a falar porque eles estavam no processo de ensinar uma mulher estrangeira, Safie, que se juntou a eles, ensinando-a a falar francês, então ele aprende a falar francês perfeitamente. Ele lhes traz presentes de lenha, que deixa para eles, mas então é claro, finalmente, em certo momento, quer se apresentar a essa família. Deixe-me voltar a isso em um momento. Havia alguns outros paralelos entre a criatura e Mary que estão registrados

[33:01] no romance. Além dessa experiência de rejeição, olhando para uma família feliz. Quando a criatura sai correndo do laboratório, ele está nu, é claro. Ele agarra a capa de Victor Frankenstein, que está pendurada em um gancho. Nessa capa, que devia ter bolsos volumosos, há muitos livros, que a criatura passa a ler. Esses são os livros que Mary Shelley também está lendo enquanto escreve Frankenstein. Então, ambos leem Paraíso Perdido, ambos leem Vidas dos Nobres Romanos de Plutarco, ambos leem Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe — ambos recebem a mesma educação. Eles também leem sobre seu próprio momento de concepção. Na capa de laboratório de Victor Frankenstein estão seus relatórios de laboratório, então a criatura pode realmente ler toda a história de sua criação e o

[34:03] momento em que a faísca da vida, que pode ser o fogo ou a eletricidade, o traz à vida. Godwin mantinha um diário de todo o tempo em que estava namorando Mary Wollstonecraft antes de realmente morarem juntos. Eles não se casaram até que ela estivesse grávida de cinco meses, mas todo o tempo em que estavam interagindo um com o outro, cada vez que passavam uma noite juntos, ele anotava em seu diário. “Shay L” se fosse na casa dela, “Shay Wah” se fosse na casa dele. Agora sabemos, pelo brilhante trabalho de detetive de William Saintclair, que toda vez que eles faziam sexo, ele colocava um pequeno ponto depois de Shay Wah ou Shay L. Então, Mary podia realmente descobrir a noite exata em que foi concebida.

[34:54] A outra coisa que ela claramente compartilha com a criatura quando ele sai para o mundo é o senso de não ter modelo, ninguém que ela possa imitar, ninguém a quem ela pertença, ninguém em quem ela possa confiar. O argumento que quero apresentar primeiro sobre o romance é que, no nível psicológico, a experiência da criatura, essa experiência de rejeição, abandono, isolamento, articula o medo mais profundo de Mary Shelley sobre si mesma. Que, como ela também foi uma criança não amada, abandonada, rejeitada, ela poderia crescer e se tornar um monstro. É isso que a criatura continua dizendo ao longo do romance. “Eu era benevolente e bom; a miséria me transformou em um demônio.” É só, é claro, quando a criatura é finalmente rejeitada pela família De Lacey. Se você leu o

[35:55] romance, você saberia que o pai De Lacey, e isso é muito significativo, é cego. Então, a criatura espera por um momento, dois anos, quando o pai De Lacey está sozinho. Ele tem um filho chamado Felix e uma filha chamada Agatha morando com ele, e a eles se junta a namorada de Felix, Safie. Ele espera por um momento em que todas as crianças estão fora de casa, e então vai se apresentar ao pai De Lacey porque ele já sabe que há algo em sua aparência que incomoda as pessoas. O pai De Lacey responde de forma totalmente positiva — a criatura fala como um cavalheiro francês. O pai De Lacey o acolhe, diz que ele é bem-vindo para ficar na família, para ser um convidado sob sua casa. Mas naquele momento, Felix volta, vê esse gigante curvado sobre seu pai, imediatamente presume que o gigante está prestes a machucar seu pai, agarra seu pai e foge correndo. É nesse ponto que a família De Lacey

[36:56] deixa o romance, e é também o ponto em que a criatura realiza seu primeiro ato de violência. Decepcionado, ele incendeia a cabana dos De Lacey e dança ao redor dela. Ele então decide que uma família estranha não vai acolhê-lo, ele precisa voltar ao seu próprio pai, Victor Frankenstein, e exigir algum tipo de relação familiar, algum tipo de companheirismo de seu criador. A caminho de Genebra para encontrar Victor Frankenstein, a criatura encontra um menino pequeno de cabelos loiros e olhos azuis, que imediatamente o chama de ogro, mas também anuncia que é filho de Alphonse Frankenstein. A criatura então reconhece imediatamente que esse menino é membro de sua própria

[37:59] família -- ele é o irmão mais novo de Victor Frankenstein. E assim, ele estende a mão, e sua motivação no romance é adotar essa criança, torná-la membro de sua família. Ele estende a mão e o abraça, mas ao abraçá-lo, o mata. Este é o momento no romance em que, pela primeira vez, perdemos a identificação -- a simpatia -- pela criatura. É neste momento do romance que Mary Shelley registra seu próprio medo mais profundo sobre si mesma -- que ela é capaz de imaginar a si mesma matando seu próprio filho. Porque o pequeno William Frankenstein, William. Esse nome é sobre determinante. É um ato patricida, matando William Godwin. É um ato fratricida, matando o meio-irmão, irmão por parte de pai, William Godwin, que havia se tornado o nexo

[39:01] da família Godwin, que a deslocou. E é também, é claro, um ato matricida. Ela está imaginando o assassinato de seu próprio filho. Porque o pequeno William Shelley tem exatamente o mesmo cabelo loiro encaracolado e olhos azuis que o pequeno William Frankenstein tem no romance, e mais importante, ambos esses dois pequenos Williams, William Shelley e William Frankenstein, têm um melhor amigo, uma menina cujo sobrenome é Byron. No caso de William Shelley, é a filha de Claire Clairmont com Byron, com o poeta Byron. No romance, é simplesmente uma amiga chamada Byron. Então, o que Mary Shelley está fazendo neste momento é reconhecer o medo mais profundo que tem de si mesma e uma síndrome de caso com a qual agora estamos familiarizados -- que uma criança maltratada pode crescer e se tornar um pai/mãe maltratador(a). Que, se uma criança não é amada, não recebe cuidado materno,

[40:01] não é nutrida, pode se tornar um monstro. Isso, afinal, é o que a criatura diz repetidamente. Ele diz: “Eu era benevolente; minha alma brilhava com amor e humanidade: mas não estou sozinho, miseravelmente sozinho?” E então ele continua: “Meus vícios são filhos de uma solidão forçada que eu abomino, e minhas virtudes necessariamente surgirão quando eu viver em comunhão com um igual.” Mas é claro, como vocês sabem, Victor Frankenstein, mesmo depois que a criatura o encontra e exige que lhe seja dada uma Eva para seu Adão, que Victor Frankenstein crie uma companheira feminina para esta criatura masculina. Victor Frankenstein, afinal, inicialmente, responde a esse apelo. Pela primeira vez no romance, e estamos mais ou menos na metade, ele reconhece que tem algumas responsabilidades para com sua criatura, que talvez devesse criar

[41:05] uma companheira feminina para ele. Ele começa o processo -- vai para a Inglaterra para descobrir com a mais recente ciência de ponta sobre obstetrícia lá como um útero feminino é construído, e então vai para uma ilha na costa da Escócia, as Ilhas Órcades, e começa a montar uma criatura feminina, uma companheira para seu macho. Mas então, no meio desse processo, ele de repente para, e rasga a fêmea que estava criando. Eu só queria ler essa passagem para vocês, e enquanto leio, a pergunta que quero propor aqui é: do que é que Victor Frankenstein realmente tem medo?

[41:53] “Eu estava agora prestes a formar outro ser, de cujas disposições eu era igualmente ignorante; ela poderia se tornar dez mil vezes mais maligna que seu companheiro, e deleitar-se, por si mesma, em assassinato e miséria. Ele havia jurado deixar a vizinhança dos homens, e se esconder em desertos; mas ela não; e ela, que com toda a probabilidade se tornaria um animal pensante e racional, poderia se recusar a cumprir um pacto feito antes de sua criação.

[42:26] Eles poderiam até se odiar; a criatura que já vivia detestava sua própria deformidade, e não poderia ele conceber uma aversão maior por ela quando esta se apresentasse diante de seus olhos na forma feminina? Ela também poderia se voltar com nojo dele para a beleza superior do homem; ela poderia deixá-lo, e ele ficaria novamente sozinho, exasperado pela nova provocação de ser abandonado por um de sua própria espécie. Mesmo que deixassem a Europa e habitassem os desertos do novo mundo, ainda assim um dos primeiros resultados dessas simpatias pelas quais o demônio ansiava seriam filhos, e uma raça de demônios se propagaria sobre a terra que poderia tornar a própria existência da espécie humana uma condição precária e cheia de terror. Teria eu o direito, para meu próprio benefício, de infligir esta maldição a gerações eternas?”

[43:21] Do que é que Victor Frankenstein realmente tem medo aqui? Não acho que seja que ele tenha medo de infligir dor aos outros. Acho que o que ele realmente teme é o fato de que ele possa criar uma mulher que possa ser independente, recusar-se a obedecer a um pacto feito antes de sua criação, uma mulher que seria raivosa, sádica, não apenas duas vezes mais maligna que a criatura masculina, mas 10,000 vezes mais maligna que a criatura masculina. Uma mulher que seria feia, uma mulher que seria lasciva, que poderia preferir a “beleza superior do homem”, caso em que o homem ali presente, a quem ela poderia preferir, seria o próprio Victor, e como ela teria 8 pés de altura, e ele tem apenas 5’4’’, ela seria capaz de impor sua vontade, sua vontade sexual

[44:22] e desejo sobre ele. E finalmente, é claro, ele tem medo de seus poderes reprodutivos, o fato de que ela pode dar à luz uma raça de criaturas semelhantes. O que quero sugerir aqui é que o que Victor Frankenstein realmente teme é uma sexualidade feminina independente, uma sexualidade feminina que não é controlada pelos homens. Porque, lembrem-se, no século 18 e por todo o século 19 e a maior parte do século 20, os homens nunca podiam saber com certeza que seus filhos eram seus filhos biológicos, a menos que controlassem suas parceiras, as práticas sexuais de suas esposas.

[45:10] Agora, temos DNA, mas antes dos testes de DNA, eles nunca podiam saber. Então, o que eles faziam, é claro, era confinar suas mulheres. Confiná-las na esfera privada, não permitir que saíssem em público, mantê-las sob chave e cadeado. Uma das coisas interessantes de se pensar é a maneira como as mulheres no século 18 e 19 na Europa no romance são representadas. Todas são representadas, as mulheres da família Frankenstein e até além, representadas com efeito sem desejos sexuais poderosos.

[45:45] A mãe de Victor Frankenstein se casa com o melhor amigo de seu pai, o próprio Victor Frankenstein está noivo de uma mulher que foi criada em sua própria casa como sua irmã, irmã chamada Elizabeth Lavenza. E até a família De Lacey -- Safie, que atravessa milhares de quilômetros sozinha, e isso é uma homenagem a Mary Wollstonecraft no romance, para ficar com seu amante, Felix, nunca sequer os vemos se beijar. Eles apenas seguram as mãos uma vez. Então, o que estou sugerindo aqui é que a ansiedade de Victor Frankenstein sobre a sexualidade feminina é característica de toda a cultura em que ele vive, e é o que motiva todo o seu projeto científico. O que Victor Frankenstein realmente quer fazer neste romance é eliminar a necessidade de ter fêmeas, porque se os machos podem produzir machos geração após geração, você

[46:50] simplesmente não precisa de mulheres, fêmeas. Esse aspecto do projeto de Victor Frankenstein é algo de que Mary Shelley está agudamente ciente, porque quando Victor Frankenstein foge de sua criatura, corre de volta para seu quarto, adormece, tem um sonho. Deixe-me ler o sonho para vocês. “Eu dormi, de fato, mas fui perturbado pelos sonhos mais selvagens. Pensei ver Elizabeth, no auge da saúde, caminhando pelas ruas de Ingolstadt.

[47:28] Encantado e surpreso, abracei-a; mas quando imprimi o primeiro beijo em seus lábios, eles ficaram lívidos com a cor da morte; suas feições pareceram mudar, e pensei que segurava o cadáver de minha mãe morta em meus braços; um sudário envolvia sua forma, e vi vermes do túmulo rastejando nas dobras do flanela.” O que Victor Frankenstein realmente deseja são fêmeas MORTAS, e depois que ele rasga a criatura feminina, é uma imagem que o romance apresenta quase como uma espécie de estupro, lembrem-se, “tremendo de paixão, rasguei em pedaços a coisa com que estava ocupado”, então, ele volta na manhã seguinte, “Os restos da criatura meio acabada, que eu havia destruído, jaziam espalhados pelo chão, e quase senti como se tivesse mutilado a carne viva de um ser humano.” Depois que ele rasga a fêmea

[48:30] criatura, o próximo grande evento no romance, é claro, a criatura estava observando a criação da criatura feminina, e quando ele vê Victor Frankenstein destruindo a fêmea, ele diz: “Estarei com você na sua noite de núpcias.” Victor então volta para casa, casa-se com Elizabeth. Na noite de núpcias deles, você esperaria que Victor estivesse na cama com sua noiva na suíte de lua de mel, mas em vez disso, Victor deixa sua noiva sozinha para sair e patrulhar os limites do hotel onde estão hospedados. Victor presume que quando a criatura diz: “Estarei com você”, egotista narcisista que é, que a criatura se refere apenas a Victor, mas é claro, presumiríamos que, se alguém fosse se juntar a você na sua noite de núpcias, é você

[49:31] plural. Então, é claro, a criatura entra e mata Elizabeth em retaliação pela perda de sua companheira. É neste ponto do romance, e é a única vez no romance, que Victor abraça Elizabeth com “ardor” somente depois que ela está morta. “Ela havia sido movida da postura em que eu a vira pela primeira vez; e agora, enquanto ela jazia, com a cabeça sobre o braço, e um lenço jogado sobre o rosto e o pescoço, eu poderia tê-la suposto adormecida. Corri em direção a ela e a abracei com ardor; mas o langor mortal e o frio dos membros me disseram que o que eu agora segurava em meus braços havia deixado de ser a Elizabeth que eu amara e estimara.”

[50:30] Na primeira parte, eu argumentava que o projeto de Victor Frankenstein e a origem do romance nascem das ansiedades de Mary Shelley sobre dar à luz, mas também de um medo patriarcal da sexualidade feminina independente. Victor quer, em um aspecto, destruir a mãe tornando-se a mãe. Na segunda parte, quero examinar a ciência que está por trás deste romance. Porque é também um romance claramente sobre a ciência moderna, e sobre os perigos da ciência moderna. E então, primeiro, deveríamos pensar um pouco sobre que ciência Mary Shelley realmente conhecia. Ela claramente não era cientista. O extraordinário experimento de Victor Frankenstein ocorre, pelo que podemos perceber, inteiramente em um sótão, iluminado por uma única vela. Mas, eu argumentaria que ela tinha uma compreensão muito sólida da ciência de ponta

[51:34] da sua época, que ela aprendeu isso primeiro com Godwin, depois com muitas pessoas que visitaram Godwin e que eram cientistas, e finalmente com Percy Shelley, que era obcecado por ciência. Então, há três cientistas que realmente estão por trás deste romance e cujas pesquisas ela utiliza. O primeiro é Sir Humphry Davy. Ele foi o fundador da Royal Academy of Science na Inglaterra. Vocês podem conhecê-lo hoje como o criador da Lâmpada do Mineiro. A Lâmpada Davy. Humphry Davy é o modelo para o professor de ciências de Victor no romance, para o Professor Waldman.

[52:12] Davy havia publicado um panfleto chamado “A Discourse Introductory to a Course of Lectures on Chemistry” em 1802, que Mary Shelley havia lido, praticamente memorizado, e as palestras do Professor Waldman são tiradas disso. Davy faz uma reivindicação para o químico, ou o campo da fisiologia química, que é a reivindicação pela qual Victor Frankenstein é inspirado e está tentando corresponder.

[52:45] Isto é o que Davy diz. A química, o novo campo da química, conferiu ao químico "poderes que podem ser quase chamados criativos; que lhe permitiram modificar e mudar os seres ao seu redor, e por seus experimentos interrogar a natureza com poder, não simplesmente como um estudioso, passivo e buscando apenas entender suas operações, mas sim como um mestre, ativo com seus próprios instrumentos.” Há duas coisas importantes nessa passagem que quero que vocês ouçam. Primeiro, Davy está engajado em uma política sexual, que para ele, o cientista é masculino, um mestre, e a natureza é feminina. A natureza é algo que o cientista mestre, como diz o professor Waldman, os mestres modernos desta ciência penetram nos recessos da natureza, e mostram

[53:45] como ela trabalha em seus esconderijos.” Mas mais importante, Davy está fazendo uma distinção entre dois tipos de ciência. Por um lado, o que poderíamos chamar de ciência intervencionista -- uma ciência que busca ativamente mudar a maneira como a natureza funciona, e para Davy, isso é o que os cientistas deveriam fazer. Em oposição, há o que poderíamos chamar de ciência descritiva, ciência que simplesmente tenta descrever ou analisar como a natureza funciona. Para Davy, esta é a ciência passiva, ciência acadêmica, ciência ruim -- ou pelo menos ciência inferior. Eu sugeriria que para Mary Shelley, é o oposto. Que a ciência intervencionista é altamente problemática, e a ciência passiva, a ciência descritiva, é boa. Para ela, os cientistas positivos que estão por trás disso é Erasmus Darwin.

[54:50] Erasmus Darwin é o tio-avô de Charles Darwin, e todos vocês sabem que Charles Darwin é o pai da teoria da evolução. Quantos de vocês sabem que Erasmus Darwin é o pai da teoria da evolução? Três, certo. Eu sempre gosto de apontar para os estudantes de Letras que Charles Darwin recebe todo o crédito pelas descobertas de seu tio-avô porque ele sabia escrever melhor. Erasmus Darwin publicou todos os seus relatos e experimentos, nos quais descreveu muito minuciosamente, da teoria da evolução por seleção sexual, por mutação aleatória, por sobrevivência do mais apto. Ele descreveu tudo isso na forma de notas de rodapé para um poema muito longo e muito ruim. Dois poemas enormes em dois volumes chamados

[55:52] The Botanic Garden, ou O Amor das Plantas. Ninguém lê, e portanto, ninguém lê as notas de rodapé. Mas seu sobrinho-neto leu as notas de rodapé religiosamente, e começou a buscar mais evidências para prová-las indo às Galápagos, e então publicou suas descobertas em prosa clara e lúcida, então ele recebe todo o crédito. Às vezes escrever é mais importante até do que descobrir. Mas, Erasmus Darwin, que Mary Shelley havia lido, ela leu The Botanic Garden, o que ela aprendeu que é relevante para o romance são duas coisas. Primeiro, de acordo com Erasmus Darwin, a evolução prossegue por uma escada evolutiva da propagação unissexuada, a divisão das amebas, para a propagação bissexual, machos e fêmeas. Então, com efeito, Victor Frankenstein é anti-evolução -- ele está descendo a escada evolutiva

[56:52] para trás, da propagação bissexual para a unissexual, combinando partes animais e humanas, e fazendo isso. Ele também está alegando que está criando uma nova espécie. De acordo com Erasmus Darwin, isso é impossível; você não pode ter uma nova espécie simplesmente criada. Uma espécie evolui a partir de espécies anteriores por mutação. Darwin é toda ciência descritiva, ele simplesmente está nos dizendo como a natureza funcionou ao longo do tempo.

[57:32] O último cientista que está por trás disso é Luigi Galvani. Galvani, vocês saberiam, se souberem de alguma coisa, é borracha galvanizada, borracha pela qual eletricidade foi passada. Galvani estava tentando provar que força vital e eletricidade são a mesma coisa. Então, o que ele estava fazendo, isso foi no final do século 18, ele era professor de ciência na Universidade de Bolonha, a universidade mais antiga da Europa. Se você for a Bolonha, certifique-se de ver a escultura de Luigi Galvani que fica no pátio bem em frente à universidade. Porque o que Galvani estava fazendo era passar cargas elétricas através de animais mortos para reanimá-los. Sua especialidade eram sapos: pegue um sapo morto, passe uma carga de eletricidade através dele, e ele vai se levantar e pular para longe. Então, na escultura, ele está lá, e ele tem seu

[58:33] livro de conhecimento aberto à sua frente, mas olhe com atenção, há um sapo morto no livro. Então, Galvani está eletrificando sapos, e ele também está passando para vacas. Finalmente, seu sobrinho, Giovanni Aldini, vem para Londres -- isso foi em junho de 1803 -- e decide fazer o experimento definitivo de Galvani -- passar eletricidade através de um cadáver humano morto. Então, Aldini recolhe o corpo morto de um criminoso recentemente enforcado da Prisão de Newgate, um homem chamado Thomas Foster, leva-o a um teatro de operações, e passa a aplicar cargas cada vez mais fortes de eletricidade através de seu cadáver. Na primeira carga, Thomas Foster, ele relata isso mais tarde, abriu os olhos, cerrou os punhos, e todo o seu corpo entrou em convulsões. Ele então aumenta a

[59:37] arco da carga, e finalmente conclui: “As ações, mesmo daqueles músculos mais distantes dos pontos de contato com o arco elétrico, foram tão aumentadas que quase deram uma aparência de reanimação.” E então, a frase final: “A vitalidade talvez pudesse ter sido restaurada se muitas circunstâncias não a tivessem tornado [A plateia ri] impossível.” Eu só queria chamar a atenção de vocês, esta é a ciência de ponta que Victor está fazendo. Este é o mais recente experimento de ponta sobre eletricidade, e é claro, Victor Frankenstein está usando uma faísca de luz, uma faísca elétrica, para animar sua criatura.

[1:00:24] Parte 3. No romance de Mary Shelley, Victor Frankenstein não tem sucesso em seu projeto científico. Não tem sucesso em se tornar o criador de uma nova raça de Super-homens, uma espécie que, como ele diz, “Me abençoaria como seu criador e fonte; muitas naturezas felizes e excelentes deveriam sua existência a mim. Nenhum pai poderia reivindicar a gratidão de seu filho tão completamente quanto eu deveria merecer a deles.” Agora, eu gostaria de sugerir que a razão pela qual seu experimento falhou é porque a Mãe Natureza reage. Reage primeiro amaldiçoando Victor Frankenstein com doenças. Todo o tempo em que Victor Frankenstein está realizando sua criação, tanto a criatura masculina quanto a criatura feminina, ele fica doente. Ele fica fisicamente doente, ele fica mentalmente doente. De fato, após a criação da criatura masculina, ele

[1:01:28] tem um colapso nervoso total, e ele tem que pedir a seu melhor amigo para vir e cuidar dele até que se recupere, o que leva 6 meses. Finalmente, ele está tão sobrecarregado pela doença que morre de causas naturais aos 26 anos. Em segundo lugar, a Mãe Natureza persegue Victor Frankenstein com os próprios elementos que ele tentou roubar dela. Eu gosto de sugerir que todos os eventos atmosféricos, todos os efeitos no romance, que pensamos como os apetrechos de romances góticos ou filmes góticos, todos os relâmpagos, trovões e chuva que ocorrem durante as construções de Victor Frankenstein de suas criaturas. Tudo isso está lá, não apenas como pano de fundo, está lá para nos lembrar do poder elemental da natureza -- que ela tem a capacidade de perseguir Victor, assim como ele tem tentado persegui-la até seus esconderijos.

[1:02:34] É quase como se, se você pensar na tragédia grega como Orestes, aqueles espíritos que perseguem Orestes, isso também está acontecendo neste romance. Em terceiro lugar, a Mãe Natureza pune Victor privando-o de qualquer tipo de instinto maternal, instinto parental -- instinto de se vincular ao seu próprio filho. Finalmente, ela o pune tornando impossível para ele procriar seus próprios filhos naturais, fazendo sua criatura matar sua noiva na noite de núpcias. Neste nível, claramente, a mensagem do romance é que aqueles que violam a Mãe Natureza serão mortos.

[1:03:22] Eu não quero terminar aí. Quarta parte. Eu acho que, implícita neste romance, está uma ideia alternativa ao projeto de Victor Frankenstein. Seu projeto é controlar a natureza, mudá-la e eliminar a sexualidade feminina. O que eu acho que Mary Shelley está tentando sugerir neste romance é uma alternativa a isso. Eu acho que ela acredita que a civilização pode ser melhorada -- a espécie humana pode ser melhorada apenas por pessoas que valorizam e cooperam com a natureza. Eu acho muito importante que o único membro da família Frankenstein que está literalmente vivo no final deste romance é o irmão de Victor, Ernest.

[1:04:16] A única coisa que sabemos sobre Ernest é que seu pai queria que ele fosse advogado, mas ele recusou e insistiu em se tornar fazendeiro, e fazendeiros, é claro, são pessoas que têm que colaborar com a natureza para sobreviver. O melhor modelo para essa colaboração natural na visão de Mary Shelley, eu acho, é a família nuclear, mas é uma família nuclear que é fundamentada em uma dinâmica familiar mutuamente amorosa, mutuamente respeitosa e igualitária. É assim que o ideal de Mary Wollstonecraft do companheiro no casamento entra em Frankenstein.

[1:05:03] A família De Lacey é um gesto nessa direção, mas observe que a família De Lacey não tem mãe. Embora sejam uma família feliz, como seus nomes sugerem; Felix, o filho, “felicidade”; Agatha significa bondade; eles são acompanhados por Safie, sofia -- sabedoria. Embora eles se movam nessa direção, até eles carecem do abraço maternal de uma mãe, e portanto, eles desaparecem do romance. O que estou sugerindo aqui é que Mary Shelley quer endossar o que hoje chamaríamos de uma ética do cuidado, uma sociedade e moralidade em que as necessidades de todos na família são atendidas, são reconhecidas, e o cuidado é atendido. Ela quer que vejamos que quando o amor nutridor de uma mãe está ausente, é quando monstros são feitos. Também, quando alguém coloca maior valor em seu trabalho do que no afeto doméstico

[1:06:05] e em seus relacionamentos humanos, é também quando monstros são feitos. E ela diz isso, na verdade. Em uma passagem do romance, que está na voz de Victor Frankenstein, mas eu acho que chega o mais perto de qualquer coisa no romance de articular a própria visão de Mary Shelley. Ela diz: “Um ser humano em perfeição deveria sempre preservar uma mente calma e pacífica, e não permitir que uma paixão ou um desejo transitório perturbe sua tranquilidade.

[1:06:37] Eu não acho que a busca do conhecimento seja uma exceção a esta regra. Se o estudo ao qual você se aplica tem uma tendência a enfraquecer seus afetos, e a destruir seu gosto por aqueles prazeres simples nos quais nenhuma liga pode possivelmente se misturar, então esse estudo é certamente ilegal, isto é, não adequado à mente humana.” Agora, se pudermos ter os slides na tela. Esta passagem continua, e continua para fazer um ponto político realmente importante. Ela continua dizendo: “Se esta regra fosse sempre observada; se nenhum homem permitisse que qualquer busca interferisse na tranquilidade de seus afetos domésticos, a Grécia não teria sido escravizada, César teria poupado seu país, a América teria sido descoberta mais gradualmente, e os impérios do México e do Peru não teriam sido destruídos.” Há um poderoso argumento político acontecendo em todo

[1:07:39] até Frankenstein, e tem a ver com a Revolução Francesa. Você pode ver a criatura como a personificação da história da Revolução Francesa, começando como a crença na bondade inata dos seres humanos, mas depois passando pelo terror, tornando-se assustadora. É por isso que eu queria mostrar este slide. O subtítulo do romance, é claro, é Frankenstein, ou o Prometeu Moderno. Frankenstein, como o herói grego, Prometeu, roubou o fogo dos Deuses para dar ao homem. Ela quer sugerir, seguindo esta gravura de Cruikshank, que o verdadeiro Prometeu moderno de sua época era Napoleão. Este é Napoleão, que roubou a ética inata da justiça das origens da Revolução Francesa, lucrou com o terror e reinscreveu uma tirania. Então, a imagem é a queda da tirania, a queda do moderno

[1:08:42] Prometeu de Napoleão nas mãos da justiça. Mary Shelley, também, quer dizer que o problema da Revolução Francesa é que os pensadores originais, os pensadores revolucionários, os japoneses, não abriram espaço em sua nova República, sua república igualitária-democrática, não abriram espaço nela para os aristocratas, os católicos romanos, o Rei e a Rainha. Em vez disso, eles os executaram na guilhotina e, assim, transformaram o que poderia ter sido uma organização social melhorada em uma tirania.

[1:09:22] Eu acho que ela quer traçar uma analogia entre esse argumento político e seu argumento científico. Ela quer sugerir que os cientistas também têm que assumir a responsabilidade pelas consequências previsíveis de sua pesquisa. Eles têm que assumir a responsabilidade política e ética. Este é o aspecto mais premente do romance na forma como ele fala diretamente sobre o que está acontecendo neste exato momento. Isso está fortemente em minha mente porque a UCLA está muito na vanguarda desta pesquisa científica.

[1:10:05] O Projeto Genoma Humano e a engenharia da linha germinativa, a engenharia de células-tronco--quantos de vocês estão familiarizados com isso? O que a engenharia de células-tronco faz, como vocês sabem, é que ela altera o DNA para sempre. Ela altera o DNA de um óvulo pré-fertilizado que é então implantado e segue adiante. Eu fui a uma conferência em 1998, foi a primeira conferência de seu tipo, chamada Engineering the Human Germline na UCLA. Todos os caras estavam lá--Craig Venter do Projeto Genoma Humano, Watson de Watson e Crick. Eles estavam dizendo por que deveríamos alterar as linhas germinativas, por que deveríamos nos engajar na engenharia de células-tronco. A primeira coisa que eles querem fazer é eliminar doenças genéticas; Doença SAX, Doença de Huntington--isso parece bom.

[1:11:06] Então, eles vão e dizem que querem eliminar doenças mentais, como o Transtorno Bipolar. Então, é claro, eu estou pensando comigo mesma: “Ok, lá se vai Virginia Woolf, lá se vai Van Gogh, lá se vai Proust. Talvez a gente queira pensar mais um pouco sobre isso?” Então, eles dizem: “Claro, queremos melhorar a atratividade.” Eu penso: “Quem decide isso? Estabilidade emocional? Nós estamos realmente em Admirável Mundo Novo a esta altura.” Finalmente, eles queriam eliminar todas as causas naturais do envelhecimento. E eu penso: “Oh, meu Deus, todos nós vamos viver até os 150, 200.” De fato, quando a audiência foi questionada sobre quantos deles fariam isso por seus bebês ainda não nascidos, 99% das pessoas na audiência disseram: “Claro que faríamos isso se pudéssemos pagar.” A única pessoa que objetou foi alguém da previdência social dizendo: “Vocês pensaram nas implicações para a previdência social?” E eu objetei porque eu

[1:12:10] os vi todos como um pequeno Frankenstein após o outro. Este projeto cria uma espécie humana perfeita que viveria para sempre. A última novidade nisso, e esta é a conferência a que eu fui no ano passado, chama-se Bebês por Design. Mulheres que fazem fertilização in vitro, o que é claro, cada vez mais mulheres fazem, porque à medida que entram nos 30 e 40 anos, elas produzirão muitos óvulos, geralmente até 2 dúzias. Então, elas têm que decidir quais óvulos implantar. Felizmente, elas não são todas octomães, elas não querem todos os óvulos implantados. Então, elas fazem diagnósticos genéticos dos óvulos, chama-se Diagnóstico Genético Pré-Implantação. O que elas vão fazer é triar esses óvulos para eliminar doenças genéticas, mas também para eliminar coisas como

[1:13:12] surdez congênita, cegueira, síndrome do intestino, nanismo. Um dos membros deste painel era Paul Miller. Vocês podem conhecê-lo, ele é um anão, ele foi o líder do movimento Americans with Disabilities Act na América, e teve o maior impacto no Congresso nesse sentido. Paul Miller se levantou e disse: “Vocês têm que perceber, do ponto de vista das comunidades de surdos, cegos, anões--isso equivale a um Holocausto.” Pensem nisso. Esse é o projeto de Victor Frankenstein, vivo e bem, na UCLA agora. Então, pensem nisso em termos de bioética. Há também um argumento neste romance sobre raça. Porque a criatura não é apenas um gigante, ele é um gigante de pele amarela. Esta é a minha própria versão da

[1:14:13] criatura, colorida para seu benefício. O que eu queria chamar sua atenção é o fato de que Mary Shelley está fazendo um comentário sobre raça no romance. Quando ela dá à criatura longos cabelos negros e pele amarela. A pele amarela não é icterícia, não é doença--é um marcador racial. Ela tinha lido Blumenbach, que desenvolveu nossas classificações atuais das 5 raças humanas. Caucasiana, branca, e amarela seria asiática. Então, para ela, esta criatura é claramente marcada como asiática. Walton, que encontra Victor Frankenstein no Polo Norte, que vê a criatura à distância, diz: “Ele não é europeu.” A criatura, portanto, representa o advento de alguém de outra raça na cultura europeia, e eu acho que contribui para o medo de Victor Frankenstein. O que eu quero sugerir então, finalmente, é

[1:15:17] que o argumento deste romance, o argumento implícito, é que temos que aprender a abraçar a Mãe Natureza, mesmo aquilo que é radicalmente diferente de nós mesmos. Mesmo que seja um gigante de 8 pés, mesmo que seja um membro de outra raça, mesmo que seja alguém que é categoricamente diferente. Se não os abraçarmos, se respondermos a eles com medo como Victor Frankenstein faz, então nós os escrevemos como monstruosos, e se nós os escrevemos como monstruosos, nós somos os autores da monstruosidade--nós criamos os monstros que descrevemos. Então, eu queria deixar vocês com a última imagem, a alternativa à reação de Victor Frankenstein. Esta é a famosa fotografia de Diane Arbus do gigante judeu em casa com seus pais no Bronx. Obrigada.

Ver a transcrição original em inglês

[0:15] Welcome to the Ian Fletcher Memorial Lecture, an annual event honouring Ian’s focus in the fields of Victorian and 19th Century Studies. One of my small regrets about being at ASU, and I had few of those, for those not withstanding, is that I never got a chance to meet Ian, and talking with Allan and others, he sounded like a positively marvelous man, and practically everybody who has ever come into this lecture knows his work well. So, I thank you for finding time to attend this event at the end of a busy and rather complicated semester for everybody. I am truly honoured to introduce this evening’s speaker, Anne K. Mellor, Distinguished Professor of Romantic Literature, Women's Studies, and Art and Literature at UCLA. Anne received her BA from Brown University and her

[1:17] MA and PhD in Comp. Lit. from Columbia University. I first encountered Anne’s work while writing my MA thesis on William Blake through her groundbreaking study titled, “Blake’s Human Form Divine,” which served to actually reorient Blake’s studies, and that work cast long shadows over my own Blakean efforts and still reads as fresh today as when it first emerged, in spite of your claims earlier today. For example, whenever I write on Blake, I return to my heavily annotated copy of her stunning book first. It is a real stunner. After the Blake book, she published a wide range of work that have literally revolutionized romantic studies, including English romantic irony, romanticism and gender, romanticism and feminism, and Mothers of the Nation, Women’s Political Writing in England, 1780

[2:18] to 1830. Anne’s work, more than any other scholar, led to the resurrection and subsequent resurgence of important studies of neglected women writers and broke forever the “big six” approach to the field that dominated before her emergence. This effort peaked with the production of the best anthology of romantic studies currently available, British Literature 1780 to 1830, and for those of you who are taking my class this summer, it's the textbook that we’re using. Other works followed as her scope widened, including forging connections, women’s poetry from the renaissance to romanticism, and passionate encounters in a time of sensibility. She also edited Mary Willstonecraft's "Vindication of the Rights of Women," and "Muriah" or "The Wrongs of Women," as well as other works. Of course, what I’ve neglected thus far,

[3:20] are the works that intersect the topic of today’s talk on Mary Shelley. She offered Mary Shelley her life, her fiction, her monsters, and she co-edited approaches to teaching Shelley’s "Frankenstein," and the other Mary Shelley beyond "Frankenstein." She also produced editions of "Frankenstein" and "The Last Man." Through this work, she established herself, to state the matter directly, as the world’s leading authority on the life and work of Mary Shelley. Anne's efforts in the profession could function as the prototype for an exemplary career. She serves on the editorial boards on the most important journals in my field and beyond, including the MLA, European Romantic Review, 19th Century Contexts, 19th Century Literature, and Women’s Studies. She has directed 3 NEH summer seminars and has received 2 Guggenheim fellowships. She has also garnered fellowships from the American Council of

[4:24] Learned Societies, the NGH, and Rockefeller. In recognition of her energetic recasting of the field of romantic studies, she received in 1999, the highest award offered in my field--the Keats-Shelley Association Distinguished Scholar Award. However, Anne’s most important achievement, I would argue, actually doesn’t appear in any of her publications and awards. They are impressive, but she has been a tireless champion of emerging scholars, and has mentored two generations of students into our profession with an energy and intensity that continues to ripple through her diverse fields of endeavor. A brief side note, when I was looking up stuff just to make sure that I had everything right. Of course the inevitable Google search must ensue,

[5:24] and it goes on forever because after the first four or five pages, it’s simply books by young scholars, established scholars, older scholars in which she’s got essays, or people are citing her relentlessly. I finally gave up at 14 pages in. I hope you don’t mind. Actually, I mean this sincerely, she is beloved by literally everyone in my field as no other scholar before her, so please join me in welcoming Professor Anne Mellor, whose talk this evening is entitled, “Mothering Monsters: Mary Shelley’s Frankenstein.” [Applause] [Anne Mellor] Yes, lights off and the slide machine on, and the first image.

[6:26] I just want to show you a few images of some of the people I’m going to be talking about tonight so you'll have some visual record of them, and then we'll come to the text of Frankenstein itself. Can you all hear me in the back? Yes? Even way back over there? Okay. Let me know if you can't. This is William Godwin. William Godwin was the leading philosopher in the late 18th century of political theory. He is the man who invented the concept of anarchism. He also was the man who argued that human beings could become perfect, could become gods, if they followed reason above all. And he is, of course, the father of Mary Shelley.

[7:17] Her mother, Mary Wollstonecraft, author of the Vindication of the Rights of Women. Leading feminist of the day. The woman who argued, really for the first time, that boys and girls should receive exactly the same education, that women were as capable of rational thought as were men, and that the ideal marriage, which she entered into with William Godwin, would be based on compatibility, affection, perhaps not quite as much sexual desire as goodwill. In fact, Mary Wollstonecraft’s notion of the perfect marriage is, first, you find the perfect roommate, and then after that, sex can be really exciting, but you gotta find a good roommate first.

[8:08] This is the most famous portrait of Mary Shelley, daughter of Godwin and Wollstonecraft, christened Mary Wollstonecraft Godwin, done in her late 40s. At the age of 16, she elopes with the married poet, Percy Shelley. He abandons his wife and two children to go off to Europe with her. This is an image of her in her early 20s, a little after she completed Frankenstein, which she started writing when she was 18 years old, completes when she's 19. So those of you who are over 18, you gotta catch up here. [Laughter] This is the only image of the creature in Frankenstein

[9:11] that we know Mary herself saw. So, as I talk about Frankenstein tonight, I want you to think of this image, not Boris Karloff with bolts coming out of his head, not Robert De Niro with a face that looks sutured baseball, not a green creature. He’s actually a pretty handsome guy, and the engraver of this image was clearly thinking of Michelangelo's Adam from the Sistine Chapel ceiling.

[9:50] So, to turn to the text now. Frankenstein is usually, historically anyway, has been read as primarily a story about a scientist who gives birth to a monster that ends up destroying its maker. I want to come back to the whole way in which he's thinking about science in this novel. I want to start talking about the novel, first from a feminist perspective. From my perspective, as a feminist, this is fundamentally a novel about what happens when a man tries to have a baby without a [Laughter] woman, and clearly it all goes wrong. So, I’ll start first with that passage which this actually illustrates. The passage in Frankenstein when Victor Frankenstein, after gathering all the pieces of bodies,

[10:51] both from cemeteries and charnel houses, human pieces, but also from slaughterhouses--animal pieces, has put them together, has finally created a creature. “It was on a dreary night of November that I beheld the accomplishment of my toils. With an anxiety that almost amounted to agony, I collected the instruments of life around me, that I might infuse a spark of being into the lifeless thing that lay at my feet. It was already one in the morning; the rain pattered dismally against the panes, and my candle was nearly burnt out, when, by the glimmer of the half-extinguished light, I saw the dull yellow eye of the creature open; it breathed hard, and a convulsive motion agitated its limbs.”

[11:43] Let me pause there and I want you to hear Mary Shelley’s language here. This is the imagery of giving birth, this is what happens after you give birth. If the child doesn’t start breathing immediately, you spank it so that it will breathe hard, a convulsive motion will agitate its limbs. Here’s Victor Frankenstein’s response: “How can I describe my emotions at this catastrophe, or how delineate the wretch whom with such infinite pains and care I had endeavoured to form? His limbs were in proportion, and I had selected his features as beautiful. Beautiful! -- Great God! His yellow skin scarcely covered the work of muscles and arteries beneath; his hair was of a lustrous black, and flowing; his teeth of a pearly whiteness; but these luxuriances only formed a more horrid contrast with his watery eyes, that seemed almost of the same colour as the dun white sockets in which they were set, his shrivelled complexion and straight black lips.”

[12:46] At this point, those of you who have read the novel know, Victor Frankenstein, after taking one look at this creature, and instead of finding it beautiful, and this is kind of a parody of Pygmalion and Galatea in classical mythology. Pygmalion set out to create a sculpture of the most beautiful woman possible and took pieces of different women, a nose from here, a limb from there, and then after he put her all together, fell in love with the sculpture. Then the gods intervene, and she comes alive and loves him back. Victor Frankenstein does the same thing, tries to create a beautiful, superior version of a human species, but takes one look at it, is terrified, runs away, runs to his bedroom, literally falls asleep, has a dream, and then suddenly is awakened because the creature has gotten up, followed him into the bedroom, and pulled aside the bed curtains. So then we hear:

[13:50] “I beheld the wretch -- the miserable monster whom I had created. He held up the curtain of the bed and his eyes, if eyes they may be called, were fixed on me. His jaws opened, and he muttered some inarticulate sounds, while a grin wrinkled his cheeks. He might have spoken, but I did not hear; one hand was stretched out, seemingly to detain me, but I escaped, and rushed down stairs.” What I’d like to observe here is that what the creature does is what you would expect an infant to do toward its parent. Reaching out to embrace it, inarticulate sounds--baby talk, smiles even. "A grin wrinkled his cheeks." Victor Frankenstein is horrified, and he runs away. So, the first question I wanted to explore with you is why? Why is it that Victor Frankenstein, after all, he spent nine months looking at this creature, we’re told that , “Winter, spring, and summer had passed away… to renew life where death had

[14:53] apparently devoted the body to corruption.” So, why is he so terrified? One of the first things you observe, of course, is that Victor Frankenstein has no sense of identification with his creature. No maternal instinct, no sense of bonding with his creature. Never once during the nine months in which he has been putting it together has he ever stopped to ask himself, “Would this thing want to be created? Would it want to be born?”

[15:24] And the real problem, of course, is that he made this creature 8 feet tall because, as he says, “Bigger pieces are easier to work with than little pieces.” Now, to understand the horror of that for Mary Shelley’s readers. Nowadays, I think we may even have 8 feet tall basketball players. They're getting up at least into the high 7ft. A really tall man in Mary Shelley’s day was 5 foot 9 inches tall. So, you have to extrapolate up. So, this creature would be, today, somewhere between 11 and 12 feet tall. So, we’re talking about a huge giant--we would be looking up at this thing if he were here beside me, right up to the ceiling. So, keep that in mind.

[16:12] What I want to suggest first about this novel is that the novel grows out of--the immediate origin of the novel comes out of Mary Shelley’s own anxieties about giving birth. We know that the novel emerged from a dream that she herself had. She tells us this in the introduction to the 1831 edition of the novel. The origin of the novel is perhaps as famous as the novel itself.

[16:48] Percy Shelley, Mary, her stepsister Claire Clairmont, the poet Byron, and Byron’s doctor were all in Geneva in Switzerland in the summer of 1816. This is perhaps the one time that we can actually date a major literary event to a geological event. For those of you who are scientists, you may be interested to know that it was because the volcano Tambora erupted in the Indonesian archipelago in April of 1815. It threw so much ash into the air--40 tons of cubic material into the air--which then blew west over Europe. It was so cold in Europe that summer; the sun never shown, it snowed in England, and it was freezing in Switzerland. So, these 5 young people gathered together, had thought that they would spend the summer swimming, playing out in the lake, being outdoors. Instead, they were confined

[17:49] to the house. They were amusing themselves by reading ghost stories to each other. They decided when they finally ran out of ghost stories, to have a competition, that they would each try to write the most frightening ghost story possible. Percey Shelley goes off and writes a paragraph, then gives up, then writes a few lines of a poem, then gives that up. Byron doesn’t even bother. Claire Clairmont doesn’t bother. The other person that really took the competition seriously was Byron’s doctor, John Polidori, who actually wrote a short story called "The Vampire," which was published under Byron’s name, and is the origin of Dracula. So, both Dracula and Frankenstein come from this night. Mary Shelley tells us that they have been talking about the competition, “Night waned upon this talk, and even the witching hour had gone by, before we retired to rest." And this is not the origin of the novel. "When I placed my head on my pillow,

[18:52] I did not sleep, nor could I be said to think. My imagination, unbidden, possessed and guided me, gifting the successive images that arose in my mind with a vividness far beyond the usual bounds of reverie. I saw—with shut eyes, but acute mental vision, —I saw the pale student of unhallowed arts kneeling beside the thing he had put together. I saw the hideous phantasm of a man stretched out, and then, on the working of some powerful engine, show signs of life, and stir with an uneasy, half vital motion. Frightful must it be; for supremely frightful would be the effect of any human endeavour to mock the stupendous mechanism of the Creator of the world. His success would terrify the artist; he would rush away from his odious handywork, horror-stricken.

[19:44] He would hope that, left to itself, the slight spark of life which he had communicated would fade; that this thing, which had received such imperfect animation, would subside into dead matter; and he might sleep in the belief that the silence of the grave would quench for ever the transient existence of the hideous corpse which he had looked upon as the cradle of life. He sleeps; but he is awakened; he opens his eyes; behold the horrid thing stands at his bedside, opening his curtains, and looking on him with yellow, watery, but speculative eyes. I opened mine in terror.”

[20:25] The question I want to ask first is, what terrified Mary Wollstonecraft Godwin, at this point she isn’t married to Percy, what terrified her so much about this image? To answer that question, I need to tell you a little bit about her biography. A year and a half before she has this dream, Mary Wollstonecraft Godwin, having eloped with Percy at the age of 16, gets pregnant immediately.

[21:05] 18 months before June 16th, 1816, she has a little baby girl--she gave birth prematurely to her, who she christened Clara, and who dies 2 weeks later. After that little girl dies, Mary has a recurrent dream that she records in her journal. “Dreamt that my little baby came to life again; that it had only been cold, and that we rubbed it before the fire, and it lived. Awake and find no baby.” So, already in her dream, she’s associating bringing the dead back to life with fire, a spark of life. Now, six months before she has the dream, she gives birth a second time, this time a little boy, who’s christened William. He’s born in January 1816. While she’s writing out the manuscript of Frankenstein, she’s pregnant

[22:09] for a third time from June until May 1817. That's when she's writing the manuscript. She finally gives birth to a third child, a little girl christened Clara Everina after the dead little girl. That daughter is born September 21st, 1817. What I wanted to suggest at this point is that this dream, and the origin of Frankenstein, rose out of Mary Godwin’s own deepest anxieties about giving birth. Remember, she’s very young--she’s only 18 years old, she’s not married, she’s been pregnant 3 times as she’s writing, and she’s experiencing, I think, the questions that any very young, unmarried, frequently pregnant girl would be asking herself.

[23:06] Questions like, “What if my child is born deformed? A freak? Will I be able to raise a normal, healthy child? Will I be able to love my child? What if my child dies? How would I feel then?” Because not only of course had her first daughter died, but this was a time when there was an incredibly high infant mortality rate in Europe. At least 70% of infants did die within the first year of birth. In fact, of the 5 pregnancies Mary Shelley has in her lifetime, only one child survives to adulthood. Fifth question, “Could I ever want my child to die? Could I ever want to kill my child?” This, I think, is something that’s very hard for us to hear through the novel, but young women

[24:10] giving birth for the first time don’t always fall powerfully in love with their newborn infants. We’ve now medicalized this condition--we call it postpartum depression. There are many young women who simply do not bond with their newborn children. I think Mary Shelley is the only writer who actually understood that phenomenon, may even have experienced it herself, and unfortunately, we don’t have much in the way of support for these young women. We just say, “Oh, you’ll get over it, it’s a phase. You’ll come to love your child if you breastfeed it, if you spend enough time with it.” Some women never do come to love their children, and I think Mary Shelley is registering that possibility in this dream, in which the creator is horrified by his creation. And then the last question that she’s got to be asking herself with each of her pregnancies, “Could my child kill me because I killed my mother?” Mary Wollstonecraft died giving

[25:15] birth to Mary Wollstonecraft Shelley. So, Victor Frankenstein’s immediate, horrified rejection of his child at this psychological level expresses the hostility that some mothers either feel or are afraid of feeling toward their newborn infants. However, in the novel, as you’d know if you’ve read it, the author’s sympathies, identification; she starts out clearly identifying with Victor Frankenstein--she looks up in terror, he looks up in terror at the creature. But as the novel develops, her sympathies, her identification, shift--shifts away from the creator to the creature. And of course, what happens to this creature, after Victor Frankenstein runs away, he stands up, and goes out into the world alone, seeking comfort, seeking some sort of family. Of course, being 8 feet tall,

[26:21] being a huge giant, everywhere he goes, people take one look at him, are terrified, run away. At one point, he’s trying to save a drowning girl and her boyfriend comes along and shoots him because he’s convinced he’s trying to drown her rather than to save her. So, what we’re getting at this level of the novel, I would suggest, is again deeply autobiographical. After Mary Wollstonecraft Godwin’s birth, and her mother’s death, William Godwin is left with not only a newborn infant baby girl to raise, but also a little girl who’s three years old who’s the daughter of Mary Wollstonecraft and a previous lover, Gilbert Imlay. A little girl known as Fanny, Fanny Imlay. So, Godwin does what a bachelor widower would do in England at this point. He rushes out, and hires a nanny to raise these two little girls. A woman named Louisa Jones. For three years,

[27:26] Louisa Jones is a devoted mother to these little girls, but when Mary is three, Louisa falls in love with one of Godwin's disciples, a man named George Dyer. Godwin doesn’t really approve of this disciple, partially because he’s a gambler, or he’s an alcoholic--he doesn’t want him hanging around the house. So, he gives Louisa an ultimatum: give up George, or leave. Louisa chooses to leave. At the age of three, Mary loses the only maternal figure she’s ever known, so once again, she’s motherless, she feels abandoned, rejected. Godwin then goes on a two year search to find another woman to care for these children. Then comes the day when Mary’s about five years old. Godwin’s living in a duplex in London, and there’s a balcony, and he’s out on his balcony. He looks over at the adjoining balcony, and there is a mature woman standing there. She looks at him,

[28:28] and she says, "Is this the divine Godwin that I behold?” To which he says, “Well, yes it is! Are you married?” It turns out Mary Jane Clairmont, as she called herself, she called herself a widow, although in fact she was never married, and had two illegitimate children of her own. Her two children are about the ages of Mary and Fanny. So, Godwin thinks this is ideal. Okay. They get married, and Mary Jane Clairmont, Mrs. Godwin and Mr. Godwin, proceed then to have a child of their own, a little boy whom they call William. If you read Mary Shelley’s journals, letters describing this period of her life, it’s as though she’s Cinderella with a wicked stepmother. Mrs. Godwin clearly treated her badly; always favoured her own children at the expense of Wollstonecraft's children,

[29:28] was particularly hostile to Mary because any time any famous person came to the Godwin household, the only child they ever wanted to meet was the daughter of Godwin and Wollstonecraft--they didn’t care about Mary Jane Clairmont’s children. In fact, Collridge came and asked to meet Mary, and read her the Rhyme of the Ancient Mariner when she was eight years old. So, Mary grows up feeling really rejected, disliked, her stepmother won’t let her have lessons--she gives special French lessons to her own daughter, but she won’t give them to Mary. Although Mary, I have to say, does get an excellent education from Godwin. Because Godwin is basically going to go on to be a major philosopher, but he is willing to teach his children.

[30:20] He gives them homework assignments, and everyday they get two hours in his study where they go over their homework with him. She learns--she’s clearly brilliant--but she learns an enormous amount from Godwin. Emotionally, she feels completely rejected, just like the creature. In fact, her rejection becomes so deeply psychological and psychosomatic that when she’s 12 years old, she comes out with boils all over her body. They send her to the seaside to cure her, and as long as she’s away from her stepmother, she’s fine. She gets better in 3 to 4 weeks. Comes back home, and immediately starts fighting with her stepmother again.

[31:05] Just at this point, Godwin gets a letter from one of his fans. Someone’s he’s never met. A man named David Baxter, who lives in Dundee, Scotland. David Baxter writes to him and he says, “I am a wealthy man, I have a large family, I live in Dundee, which is 600 miles away from London, and I read your works all the time, I admire you enormously. If there’s anything I can do for you, just let me know.” Godwin immediately writes back and says, “By the way, there is something you can do for me. I have a daughter who’s causing me a great deal of trouble--can I send her to you?” And David Baxter says, “Well, of course.” And so, Mary is shipped off at the age of 14 all by herself, 600 miles, to Dundee, alone, to stay with a family that are total strangers to her.

[31:59] She spends 2 years there, sort of looking in on this happy family where she feels welcomed, but still, they aren’t her family. Remember that in the novel, the creature, after he leaves Frankenstein’s laboratory, goes out, wanders through the woods, and finally find a family--the De Lacey family, living in a cottage in the woods, and he spends literally 2 years looking through a keyhole at this family, learning how to speak because they were in the process of teaching a foreign woman, Safie, who’s joined them, teaching her how to speak French, so he learns how to speak perfect French. He brings them gifts of firewood, which he leaves for them, but then of course, finally, at a certain point, wants to introduce himself to this family. Let me come back to that in a moment. There were some other parallels between the creature and Mary that are recorded

[33:01] in the novel. Beyond this experience of rejection, looking at a happy family. When the creature rushes out of the laboratory, he’s naked, of course. He grabs Victor Frankenstein’s cloak, which is hanging on a hook. In this cloak, which much have had voluminous pockets, there are many books, which the creature proceeds to read. These are the books that Mary Shelley is also reading as she writes out Frankenstein. So, they both read Paradise Lost, they both read Plutarch’s Lives of the Noble Romans, they both read Goethe’s Sorrows of Young Werther--they both get the same education. They also both read about their own moment of conception. In Victor Frankenstein’s lab cloak are his lab reports, so the creature can actually read the whole story of his creation and the

[34:03] moment when the spark of life, which can be the fire or electricity, brings him to life. Godwin kept a diary of all the time that he was dating Mary Wollstonecraft before they actually moved in together. They didn’t get married until she was five months pregnant, but all the time that they were interacting with each other, every time they spent a night together, he would put it in his diary. “Shay L” if it were her place, “Shay Wah” if it’s his place. We now know from the brilliant detective work of William Saintclair, that every time they had sex, he would put a little dot after Shay Wah or Shay L. So, Mary could actually figure out the exact night of which she was conceived.

[34:54] The other thing that she clearly shares with the creature as he goes out into the world is the sense of having no role model, no one she can imitate, no one that she belongs to, no one that she can rely on. The argument that I want to make first about the novel is that, at the psychological level, the creature’s experience, this experience of rejection, abandonment, isolation, articulates Mary Shelley's deepest fear about herself. That since she was also an unloved, abandoned, rejected child, that she might grow up to become a monster. This is what the creature keeps saying throughout the novel. “I was benevolent and good; misery made me a fiend.” It's only, of course, when the creature is finally rejected by the De Lacey family. If you’ve read the

[35:55] novel you’d know that Father De Lacey, and this is very significant, is blind. So, the creature waits for a moment, two years, when father De Lacey is alone. He’s got a son named Felix and a daughter named Agatha living with him, and they are joined by Felix’s girlfriend, Safie. He waits for a moment when all the children are out of the house, and then he goes to introduce himself to father De Lacey because he already knows that there’s something about his appearance that upsets people. Father De Lacey responds entirely positively--the creature speaks like a French gentleman. Father De Lacey welcomes him, says that he’s welcome to stay in the family, to be a guest under their house. But at that moment, Felix comes back in, sees this giant bending over his father, immediately assumes the giant is about to hurt his father, grabs his father, and races away. That’s the point at which the De Lacey family

[36:56] leaves the novel, and it’s also the point at which the creature performs his first act of violence. Disappointed, he sets fire to the De Lacey cottage and dances around it. He then decides that a strange family isn’t going to welcome him, he’s got to go back to his own parent, Victor Frankenstein, and demand some sort of family relationship, some sort of companionship from his maker. On the way to Geneva to finding Victor Frankenstein, the creature runs into a little boy with blonde hair and blue eyes, who immediately calls him an ogre, but also announces that he is the son of Alphonse Frankenstein. The creature then immediately recognizes that this little boy is a member of his own

[37:59] family--he’s Victor Frankenstein’s youngest brother. And so, he reaches out, and his motivation in the novel is to adopt this child, make him a member of his family. He reaches out and embraces him, but in embracing him, kills him. This is the moment in the novel where, for the first time, we lose identification--sympathy--with the creature. It’s this moment in the novel when Mary Shelley registers her own deepest fear about herself--that she is capable of imagining herself killing her own child. Because little William Frankenstein, William. That name is overdetermined. It’s a patricidal act, killing off William Godwin. It’s a fratricidal act, killing off the stepbrother, half brother, William Godwin, who had become the nexus

[39:01] of the Godwin household, who displaced her. And it’s also, of course, a matricidal act. She is imagining the murder of her own son. Because little William Shelley has exactly the same blonde curly hair and blue eyes that little William Frankenstein has in the novel, and more to the point, both of those two little Williams, William Shelley and William Frankenstein, have a best friend, a little girl who’s last name is Byron. In the case of William Shelley, it’s Claire Clairmont’s daughter by Byron, by the poet Byron. In the novel, it’s simply a friend named Byron. So, what Mary Shelley is doing at this moment is recognizing the deepest fear she has about herself and a case sydrome that we are now familiar with--that a battered child might grow up to become a battering parent. That, if a child is not loved, not mothered,

[40:01] not nurtured, it can become a monster. This, afterall, is what the creature says over and over again. He says, “I was benevolent; my soul glowed with love and humanity: but am I not alone, miserably alone?” And then he goes on, “My vices are the children of a forced solitude that I abhor, and my virtues will necessarily arise when I live in communion with an equal.” But of course, as you know, Victor Frankenstein, even after the creature finds him and demands that he be given an Eve for his Adam, that Victor Frankenstein create a female companion for this male creature. Victor Frankenstein, after all, initially, is responsive to this play. For the first time in the novel, and we’re about halfway through, he acknowledges that he has some responsibilities for his creature, that perhaps he should create

[41:05] a female companion for him. He starts the process--he goes to England so he can find out from the latest cutting-edge science on midwifery there how a female womb is constructed, and then he goes to an island off the coast of Scotland, the Orkney Islands, and starts assembling a female creature, a companion for his male. But then, halfway through this process, he suddenly stops, and rips up the female that he's been creating. I just wanted to read that passage to you, and as I read, the question I want to propose here is, what is it that Victor Frankenstein is really afraid of?

[41:53] “I was now about to form another being, of whose dispositions I was alike ignorant; she might become ten thousand times more malignant than her mate, and delight, for its own sake, in murder and wretchedness. He had sworn to quit the neighbourhood of man, and hide himself in deserts; but she had not; and she, who in all probability was to become a thinking and reasoning animal, might refuse to comply with a compact made before her creation.

[42:26] They might even hate each other; the creature who already lived loathed his own deformity, and might he not conceive a greater abhorrence for it when it came before his eyes in the female form? She also might turn with disgust from him to the superior beauty of man; she might quit him, and he be again alone, exasperated by the fresh provocation of being deserted by one of his own species. Even if they were to leave Europe, and inhabit the deserts of the new world, yet one of the first results of those sympathies for which the daemon thirsted would be children, and a race of devils would be propagated upon the earth who might make the very existence of the species of man a condition precarious and full of terror. Had I right, for my own benefit, to inflict this curse upon everlasting generations?”

[43:21] What is it that Victor Frankenstein is truly afraid of here? I don't think it’s that he’s afraid of inflicting pain on others. I think what he’s really afraid of is the fact that he might create a woman who might be independent, refuse to obey a compact made before her creation, a woman who would be angry, sadistic, not just twice as malignant than the male creature, but 10,000 times more malignant than the male creature. A woman who would be ugly, a woman who would be lustful, who might prefer the “superior beauty of man,” in which case, the man standing right there, who she might prefer would be Victor himself, and since she would be 8 feet tall, and he’s only 5’4’’, she would be able to work her will, her sexual will

[44:22] and desire upon him. And finally, of course, he's afraid of her reproductive powers, the fact that she can give birth to a race of like creatures. What I want to suggest here is that what Victor Frankenstein is really afraid of is an independent female sexuality, a female sexuality that’s not controlled by men. Because, remember, in the 18th century and all the way through the 19th century and most of the 20th century, males could never know for sure that their sons were their biological sons unless they controlled their partners, their wives' sexual practices.

[45:10] Now, we have DNA, but before DNA testing, they could never know. So, what they would do, of course, is to confine their women. Confine them in the private sphere, not allow them to go out into public, keep them under lock and key. One of the interesting things to think about is the way that women in 18th and 19th century Europe in the novel are represented. They are all represented, the women of the Frankenstein family and even beyond, represented in effect without powerful sexual desires.

[45:45] Victor Frankenstein’s mother marries the best friend of her father, Victor Frankenstein himself is engaged to a woman who’s been raised in his own household as his sister, sister named Elizabeth Lavenza. And even the De Lacey family--Safie, who comes across thousands of miles by herself, and that’s the homage to Mary Wollstonecraft in the novel, to be with her lover, Felix, we never even see them kiss. They just hold hands once. So, what I’m suggesting here is that Victor Frankenstein’s anxiety about female sexuality is characteristic of the entire culture of which he lives, and it’s what motivates his entire scientific project. What Victor Frankenstein really wants to do in this novel is to eliminate the need to have females because if males can produce males generation after generation, you

[46:50] simply don’t need women, females. That aspect of Victor Frankenstein’s project is something that Mary Shelley is acutely aware of, because when Victor Frankenstein runs away from his creature, runs back to his bedroom, falls asleep, has a dream. Let me read you the dream. “I slept, indeed, but I was disturbed by the wildest dreams. I thought I saw Elizabeth, in the bloom of health, walking in the streets of Ingolstadt.

[47:28] Delighted and surprised, I embraced her; but as I imprinted the first kiss on her lips, they became livid with the hue of death; her features appeared to change, and I thought that I held the corpse of my dead mother in my arms; a shroud enveloped her form, and I saw the grave-worms crawling in the folds of the flannel.” What Victor Frankenstein really desires is DEAD females, and after he tears up the female creature, it’s an image that the novel presents almost as a kind of rape, recall, “trembling with passion, I tore to pieces the thing on which I was engaged,” then, he comes back the next morning, “The remains of the half-finished creature, whom I had destroyed, lay scattered on the floor, and I almost felt as if I had mangled the living flesh of a human being.” After he tears up the female

[48:30] creature, the next major event in the novel, of course, the creature was observing the creation of the female creature, and when he sees Victor Frankenstein destroying the female, he says, “I will be with you on your wedding night.” Victor then goes back home, marries Elizabeth. On their wedding night, you would expect Victor to be in bed with his bride in their honeymoon suite, but instead, Victor leaves his bride alone to go out and patrol the boundaries of the hotel where they’re staying. Victor assumes that when the creature says, “I will be with you,” narcissistic egotist that he is, that the creature means only Victor, but of course, we would assume, if someone were to join you on your wedding night, it’s you

[49:31] plural. So, of course, the creature comes in and kills Elizabeth in retaliation for the loss of his partner. It’s at this point in the novel, and it’s the only time in the novel, that Victor embraces Elizabeth with “ardour” only after she’s dead. “She had been moved from the posture in which I had first beheld her; and now, as she lay, her head upon her arm, and a handkerchief thrown across her face and neck, I might have supposed her asleep. I rushed towards her, and embraced her with ardour; but the deathly languor and coldness of the limbs told me that what I now held in my arms had ceased to be the Elizabeth whom I had loved and cherished.”

[50:30] The first part, I was arguing that Victor Frankenstein's project and the origin of the novel grows out of Mary Shelley’s anxieties about giving birth, but also out of a patriarchal fear of female--independent female sexuality. Victor wants to, in a spect, destroy the mother by becoming the mother. In the second part, I want to look at the science that lies behind this novel. Because it’s also a novel clearly about modern science, and about the dangers of modern science. And so, first, we should think a little bit about what science Mary Shelley actually knew. She was clearly no scientist herself. Victor Frankenstein’s extraordinary experiment takes place, as far as we can tell, entirely in an attic, lit by a single candle. But, I would argue that she had a very sound grasp of the cutting-

[51:34] edge science of her day, that she had learned this first from Godwin, then from many people who had visited Godwin who were scientists, then finally from Percey Shelley, who was obsessed with science. So, there are three scientists that actually lie behind this novel whose research she’s drawing on. The first is Sir Humphry Davy. He was the founder of the Royal Academy of Science in England. You may know him today as the creator of the Miner's Lamp. The Davy Lamp. Humphry Davy is the model for Victor’s science teacher in the novel, for Professor Waldman.

[52:12] Davy had published a pamphlet called “A Discourse Introductory to a Course of Lectures on Chemistry” in 1802, which Mary Shelley had read, virtually memorized, and Professor Waldman’s lectures are drawn from this. Davy makes a claim for the chemist, or the field of chemical physiology, which is the claim that Victor Frankenstein is inspired by and he’s trying to live up to.

[52:45] This is what Davy says. Chemistry, the new field of chemistry, has bestowed upon the chemist "powers which may be almost called creative; which have enabled him to modify and change the beings surrounding him, and by his experiments to interrogate nature with power, not simply as a scholar, passive and seeking only to understand her operations, but rather as a master, active with his own instruments.” There are two important things in that passage that I want you to hear. First of all, Davy is engaging in a sexual politics, that for him, the scientist is a male, a master, and nature is female. Nature is something that the master scientist, as professor Waldman says, the modern masters of this science penetrate into the recesses of nature, and show

[53:45] how she works in her hiding places.” But more important, Davy’s making a distinction between two kinds of science. On the one hand, what we might call interventionist science--a science that seeks to actively change the way that nature works, and for Davy, this is what scientists ought to do. In opposition, there’s what we might call descriptive science, science that simply tries to describe or analyze how nature works. For Davy, this is passive science, scholarly science, bad science--or at least inferior science. I would suggest that for Mary Shelley, it’s the opposite.That interventionist science is highly problematic, and passive science, descriptive science, is good. For her, the positive scientists that lies behind this is Erasmus Darwin.

[54:50] Erasmus Darwin is the great uncle of Charles Darwin, and you all know Charles Darwin is the father of the theory of evolution. How many of you know that Erasmus Darwin is the father of the theory of evolution? Three, okay. I always like to point out to English majors that Charles Darwin gets all the credit for his great uncle’s discoveries because he could write better. Erasmus Darwin published all his accounts and experiments, in which he described quite thoroughly, of the theory of evolution through sexual selection, through random mutation, through survival of the fittest. He described all this in the form of footnotes to a very long, very bad poem. Two huge volume poems called

[55:52] The Botanic Garden, or The Love of the Plants. Nobody reads it, and therefore, nobody reads the footnotes. But his great nephew read the footnotes religiously, and set about finding more evidence to prove them by going to the Galapagos, and then published his findings in clear, lucid prose, so he gets all the credit. Sometimes writing is more important even than discovery. But, Erasmus Darwin, who Mary Shelley had read, she read The Botanic Garden, what she learned that’s relevant to the novel is two things. First of all, according to Erasmus Darwin, evolution proceeds up an evolutionary ladder from single-sex propagation, the division of amoebas, to dual-sex propagation, males and females. So, in effect, Victor Frankenstein is anti-evolution--he’s going down the evolutionary

[56:52] ladder backwards from dual-sex propagation to single-sex by combining animal and human parts, and doing it. He’s also claiming that he’s creating a new species. According to Erasmus Darwin, that’s impossible; you can’t have a new species just created. One species evolves out of previous species through mutation. Darwin is all descriptive science, he’s simply just telling us how nature has worked through time.

[57:32] The last scientist that lies behind this is Luigi Galvani. Galvani, you would know, if you know at all, is galvanized rubber, rubber through which electricity has been run. Galvani was trying to prove that life force and electricity are the same. So, what he was doing, this was late 18th century, he was a professor of science at the University of Bologna, the oldest university in Europe. If you go to Bologna, you have to be sure to see the sculpture of Luigi Galvani that stands in the courtyard right in front of the university. Because what Galvani was doing was running electrical charges through dead animals in order to reanimate them. His speciality was frogs: get a dead frog, run a charge of electricity through it, and it’ll get up and hop away. So, in the sculpture, he’s standing there, and he’s got his

[58:33] book of knowledge that’s open in front of him, but look carefully, there’s a dead frog in the book. So, Galvani is electrifying frogs, and he’s also moving on to cows. Finally, his nephew, Giovanni Aldini, comes to London--this is in June 1803--and decides to do the ultimate Galvani experiment--to run electricity through a dead human corpse. So, Aldini collects the dead body of a recently hanged criminal from Newgate Prison, a man named Thomas Foster, takes him to an operating theater, and proceeds to run ever-stronger charges of electricity through his corpse. At the first charge, Thomas Foster, he recounts this later, opened his eyes, clenched his fists, and his entire body went into convulsions. He then increases the electrical

[59:37] arch of the charge, and finally concludes, “The actions, even of those muscles, furthest distance from the points of contact with the electrical arch, was so much increased as almost to give an appearance of reanimation.” And then, the final sentence, “Vitality might perhaps have been restored if many circumstances had not rendered it [Audience laughs] impossible.” I just wanted to call your attention, this is cutting edge science that Victor is doing. This is the latest, cutting-edge experiment on electricity, and of course, Victor Frankenstein is using a spark of light, an electrical spark, to animate his creature.

[1:00:24] Part 3. In Mary Shelley’s novel, Victor Frankenstein does not succeed in his scientific project. Does not succeed in becoming the creator of a new race of Supermen, a species, which as he says, “Would bless me as its creator and source; many happy and excellent natures would owe their being to me. No father could claim the gratitude of his child so completely as I should deserve their's.” Now, I would like to suggest that the reason why his experiment failed is because Mother Nature fights back. Fights back first by cursing Victor Frankenstein with diseases. All the time that Victor Frankenstein is carrying out his creation, both the male creature and the female creature, he gets sick. He gets physically sick, he gets mentally sick. In fact, after the creation of the male creature, he

[1:01:28] has a total nervous breakdown, and he has to get his best friend to come and nurse him back to health, which takes 6 months. Finally, he is so overwhelmed by disease that he dies of natural causes at the age of 26. Secondly, Mother Nature pursues Victor Frankenstein with the very elements that he tried to steal from her. I like to suggest that all the atmospheric events, all the effects in the novel, which we think of as the paraphernalia of gothic novels or gothic films, all the lightning, thunder, and rain that occurs all during Victor Frankenstein’s constructions of his creatures. All that is there, not just as a background, it’s there to remind us of the elemental power of nature--that she has the capacity to pursue Victor, just as he’s been trying to pursue her to her hiding places.

[1:02:34] It's almost as though if you think back to the Greek tragedy like Orestes, those spirits that pursue Orestes, that’s going on in this novel as well. Thirdly, Mother Nature punishes Victor by depriving him of any kind of maternal instinct, parental instinct--instinct to bond with his own child. Finally, she punishes him by making it impossible for him to procreate his own natural children by having his creature kill his fiance on their wedding night. At this level, clearly, the message of the novel is those who violate Mother Nature will be killed.

[1:03:22] I don’t want to end there. Fourth part. I think, implicit in this novel is an alternative idea to Victor Frankenstein’s project. His project is to control nature, change her, and eliminate female sexuality. What I think Mary Shelley is trying to suggest in this novel is an alternative to that. I think she believes that civilization can be improved--the human species can be improved only by people who value and cooperate with nature. I think it’s very important that the only member of the Frankenstein family who is literally alive at the end of this novel is Victor’s brother, Ernest.

[1:04:16] The only thing we know about Ernest is that his father wanted him to be a lawyer, but he refused and insisted instead on becoming a farmer, and farmers, of course, are people who have to collaborate with nature in order to survive. The best model for this natural collaboration in Mary Shelley’s view, I think, is the nuclear family, but it’s a nuclear family that is grounded on a mutually loving, mutually respecting, egalitarian family dynamic. This is the way in which Mary Wollstonecraft’s ideal of the companion at marriage gets into Frankenstein.

[1:05:03] The De Lacey family is a gesture in that direction, but notice that the De Lacey family lacks a mother. Although they’re a happy family, as their names suggest; Felix, the son, “happiness”; Agatha means goodness; they’re joined by Safie, sofia--wisdom. Although they move in that direction, even they lack in the maternal embrace of a mother, and hence, they disappear from the novel. What I'm suggesting here is that Mary Shelley wants to endorse what nowadays we would call an ethic of care, a society and morality in which the needs of everyone in the family are met, are acknowledged, and nurture is met. She wants us to see that when the nurturing love of a mother is absent, that is when monsters get made. Also, when someone places higher value on their work than they do on the domestic affection

[1:06:05] and their human relationships, that’s also when monsters get made. And she says this, actually. In a passage in the novel, which is in Victor Frankenstein’s voice, but I think comes as close to anything in the novel to articulating Mary Shelley’s own view. She says, “A human being in perfection ought always to preserve a calm and peaceful mind, and not to allow a passion or a transitory desire to disturb his tranquility.

[1:06:37] I do not think that the pursuit of knowledge is an exception to this rule. If the study to which you apply yourself has a tendency to weaken your affections, and to destroy your taste for those simple pleasures in which no alloy can possibly mix, then that study is certainly unlawful, that is to say, not befitting the human mind.” Now, if we could have the slides up. This passage goes on, and it goes on to make a really important political point. She goes on to say, “If this rule were always observed; if no man allowed any pursuit whatsoever to interfere with the tranquillity of his domestic affections, Greece had not been enslaved, Caesar would have spared his country, America would have been discovered more gradually, and the empires of Mexico and Peru had not been destroyed.” There’s a powerful political argument going on all

[1:07:39] through Frankenstein, and it has to do with the French Revolution. You can see the creature as the embodiment of the history of the French Revolution, starting out as the belief of the innate goodness of human beings, but then moving through the terror, becoming frightening. This is why I wanted to show you this slide. The subtitle of the novel, of course, is Frankenstein, or the Modern Prometheus. Frankenstein, like the Greek hero, Prometheus, stole fire from the Gods to give to man. She wants to suggest, following this print by Cruikshank, that the true modern prometheus of her day was Napoleon. This is Napoleon, who has stolen the innate ethic of justice from the origins of the French Revolution, profited from the terror, and reinscribed a tyranny. So, the image is the downfall of tyranny, the downfall of the modern

[1:08:42] Prometheus of Napoleon at the hands of justice. Mary Shelley, too, wants to say that the problem of the French Revolution is that the original thinkers, the revolutionary thinkers, the Japanese, did not make room in their new Republic, their egalitarian-democratic republic, they did not make room in it for the aristocrats, the Roman Catholics, the King and Queen. Instead, they executed them by the guillotine, and thereby transformed what could have been an improved social organization into a tyranny.

[1:09:22] I think, she wants to draw an analogy between that political argument and her scientific argument. She wants to suggest that scientists also have to take responsible for the predictable consequences of their research. They have to take political and ethical responsibility. This is the most pressing aspect of the novel in the way that it speaks directly to what's going on at this very moment. This is keenly on my mind because UCLA is very much on the forefront of this scientific research.

[1:10:05] The Human Genome Project and germline engineering, stem cell engineering--how many of you are familiar with this? What stem cell engineering does, as you know, is that it alters DNA forever. It alters the DNA of a pre-fertilized egg that’s then implanted, and then goes on. I went to a conference in 1998, it was the first conference of it’s time, called Engineering the Human Germline at UCLA. All the guys were there--Craig Venter of the Human Genome Project, Watson of Watson and Crick. They’re saying why we should alter germlines, why we should engage in stem cell engineering. The first thing they want to do is to eliminate genetic diseases; SAX Disease, Huntington's Disease--that sounds fine.

[1:11:06] Then, they go and say they want to eliminate mental diseases, like Bipolar Disorder. So, of course, I’m thinking to myself, “Okay, there goes Virginia Woolf, there goes Van Gogh, there goes Proust. Maybe we want to think about this some more?” Then, they go, “Of course, we want to improve attractiveness.” I think, “Who gets to decide? Emotional stability? We’re really into Brave New World at this point.” Finally, they wanted to eliminate all the natural causes of aging. And I'm thinking, “Oh, my God, we’re all going to living to 150, 200.” In fact, when the audience was asked on how many of them would do this for their unborn infants, 99% of the people in the audience said, “Of course we would do this if we can afford it.” The only person who objected was someone from social security saying, “Have you thought about the implications for social security?” And I objected because I

[1:12:10] saw them all as one little Frankenstein after another. This project creates a perfect human species that would live forever. The latest wrinkle in this, and this is the conference that I went to last year, is called Babies by Design. Women who do ex-vitro fertilization, which of course, more and more women do because as they get into their late 30s early 40s, they’ll produce many eggs, usually as many as 2 a dozen. Then, they have to decide which eggs to have implanted. Luckily, they’re not all octo-moms, they don't want all eggs implanted. So, they do genetic diagnoses of the eggs, it’s called Preimplantation Genetic Diagnosis. What they’re going to do is to screen these eggs to eliminate genetic diseases, but also to eliminate things like

[1:13:12] congenital deafness, blindness, bowel syndrome, dwarfism. One of the members of this panel was Paul Miller. You may know him, he’s a dwarf, he’s been the leader of the Americans with Disabilities Act movement in America, and has had the most impact on Congress in this regard. Paul Miller got up, and he said, “You do have to realize, from the point of view of the communities of the deaf, the blind, dwarves--this is tantamount to a Holocaust.” Think about that. That’s Victor Frankenstein’s project, alive and well, UCLA right now. So, think about it in terms of bioethics. There’s also an argument in this novel about race. Because the creature is not just a giant, he’s a yellow skin giant. This is my own version of the

[1:14:13] creature, coloured for your benefit. What I wanted to call you attention to is the fact that Mary Shelley is making a comment about race in the novel. When she gives the creature long flowing black hair and yellow skin. The yellow skin is not jaundice, it’s not disease--it’s a racial marker. She had been reading Blumenbach, who developed our current classifications of the 5 races of man. Caucasian, white, and yellow would be Asian. So, for her, this creature is clearly marked as an Asian. Walton, who picks up Victor Frankenstein at the North Pole, who sees the creature at a distance, says, “He is not a European.” The creature thus represents the advent of someone of another race into the European culture, and I think contributes to Victor Frankenstein’s fear. What I want to suggest then, finally, is

[1:15:17] that the argument of this novel, the implicit argument, is that we have to learn how to embrace Mother Nurture, even that which is radically different from ourselves. Even if it’s an 8 foot giant, even if it’s a member of another race, even if it is someone who is categorically different. If we don’t embrace them, if we respond to them in fear as Victor Frankenstein does, then we write them as monstrous, and if we write them as monstrous, we are the authors of monstrosity--we create the monsters that we describe. So, I wanted to leave you the last image, the alternative to Victor Frankenstein’s reaction. This is Diane Arbus’s famous photograph of the Jewish giant at home with his parents in the Bronx. Thank you.

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Atribuição

"“Mothering Monsters: Mary Shelley’s Frankenstein” por Anne K. Mellor" pelo Departamento de Inglês, Arizona State University (https://www.youtube.com/@asu_english), licenciado sob CC BY 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/). Vídeo original: https://www.youtube.com/watch?v=Rd-eKRRQzcQ. Esta página é uma transcrição em texto do vídeo com quebras de parágrafo e carimbos de data/hora adicionados; o criador não é afiliado e não endossa o Vidleaf. O Vidleaf adicionou pontuação por IA e um resumo gerado por IA; o texto original permanece disponível nesta página.

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